Ano 11 - nº 88 - Janeiro de 2012 - A revista do educador
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Vamos Conversar?
Cleide Arantes
O progresso artístico da criança numa visão interacionista

A arte favorece o desenvolvimento cultural do ser humano. Ajuda na formação da crítica, da ética, da justiça, da solidariedade e do espírito de coletividade. Conhecer a arte em suas diversas modalidades nos permite interpretar, analisar, criar e recriar a partir de um olhar cada vez mais ampliado. O gosto e a sensibilidade para apreciar a arte devem ir além da mera expectação para a compreensão da mensagem que se oculta, e transcender esse limite. A escultura, a música, a dança, a pintura, a escrita representam algumas das diversas culturas da humanidade. Nossa história conta com o registro das expressões artísticas do homem que busca representar seus sentimentos, desejos, vícios e paixões de formas variadas, e por vezes, de maneira indireta usando máscaras, personagens, fantoches, música, teatro, pinturas... Mas como estimular o gosto para se apreciar uma obra de arte, uma peça de teatro ou um estilo de dança, uma poesia? Com a proposta de fazer nossos alunos desenvolverem seus “olhares” diante das diversas modalidades da arte, justificamos a sua importância e relevância partindo do estudo de Lev Vygotsky que aborda a questão sócio interacionista na construção do conhecimento.

Segundo Vygotsky (2001), o conhecimento se dá num processo de interação com o outro. A arte, como o conjunto de formas que expressam uma cultura, um valor, uma idéia, uma concepção, um tempo, um espaço, está presente nas relações sociais, intrinsecamente. O educador que deseja ampliar o horizonte visual da sua turma, aumentar o vocabulário do grupo, estimular novos interesses, deve criar oportunidades para as expressões artísticas. Explorar os espaços da sua escola, visitar exposições, ir ao cinema...Produzir também e expor a arte na escola ou na rua, por que não?

O educador atento faz a condução desses valores facilitando não só a apreciação das diversas formas de arte como reconhece a legitimidade dessa mesma arte. E como exercitar o olhar? O aluno que exercita o “olhar” para a produção do outro, tem a chance de perceber as possibilidades que tem de potencializar os seus próprios talentos. Está mais próximo da análise e da crítica e não se permitirá manipular pelas ideologias dominantes. A leitura de imagens, por exemplo, é uma leitura muito rica e se constrói à medida que o educador traz à realidade dos alunos contextualizando sempre para dar sentido ao que se vê. O aluno é estimulado a analisar uma expressão de arte e entender como as produções podem ser tão diversas e legítimas. A interculturalidade é a essência da diversidade. Dar a importância devida a essa interculturalidade é aumentar a auto-estima de um povo e associar a arte a um código tanto erudito quanto popular. A escola deve interagir os códigos eruditos e populares sem supremacia de um sobre o outro. É por esta razão que a nossa proposta é a de refletir sobre a importância do estudo da arte como expressão das diversas culturas incluindo a sua própria cultura. Porque a arte abre nosso campo do pensamento e visão. Traz formas inteligentes e criativas de pensar coisas muito conhecidas, mas pouco exploradas pela maioria, como por exemplo, coisas comuns do dia-a-dia. Pense numa coisa cotidiana! Esta coisa pode ser feita de diversas maneiras e só aquele que se deixa experimentar através da sua própria arte consegue descobrir estes caminhos.

Segundo Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia (1996, p.61), precisamos contribuir para ultrapassar os limites da curiosidade que se torna “fundante da produção do conhecimento. Como a linguagem que anima a curiosidade e com ela se anima, é também conhecimento e não só a expressão dele.” De acordo com Freire não existe o real absoluto e verdadeiro, e sim uma realidade interpretável por intermédio das diferentes linguagens. À proporção que a criança avança em seu desenvolvimento, é capaz de construir conceitos cada vez mais abstratos em níveis maiores de generalização.

Nossa proposta é fazer com que o aluno desde as séries iniciais (e porque não incluir outros níveis?) tenha a possibilidade de relacionar as artes apropriando-se dos seus conceitos e utilizando os conhecimentos adquiridos como instrumentos de reflexão críticas sobre a realidade. Que exercite sua postura crítica e sua criatividade ousando-se contrapor a estereótipo e padrões rígidos de ordem estética, social e cultural.

REFERENCIAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1996.

VIGOTSKY, Lev Semenovick. Psicologia pedagógica: tradução de Paulo Bezerra. – São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Cleide Arantes é Pedagoga e Professora de Educação Infantil.



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