Ano 10 - nº 85 - Abril de 2011 - A revista do educador
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Vamos Conversar?
Cleide Arantes
Solidariedade: a origem essencial da vida humana

A necessidade é urgente de transformar e trazer propostas relevantes para o campo da educação. É cada vez mais notório o esforço para mudar a realidade por parte dos educadores realmente preocupados com a missão de educar.

O que é essencial vem sendo alterado com falsas promessas e com tentativas frustrantes de encobrir ao invés de tratar o erro. Os problemas são sociais, econômicos, políticos e educacionais porque não se encontra um meio de sairmos dessa situação alarmante na Educação. O que poderia então contribuir para essa mudança tão desejada? Alguns valores esquecidos deviam ser resgatados e voltar a fazer parte do dia-a-dia de todos. Pensemos na solidariedade. Não a solidariedade ostensiva que excede os domínios do outro de forma humilhante, nem mesmo aquela que tem sentido de troca, barganha, mesquinhez. A solidariedade a qual nos referimos é a que dá a mão ao outro sem nenhuma intenção de poder ou superioridade. Aquela que vai além porque entende o outro na intimidade e busca junto à solução das questões inquietantes.

Pela complexidade do termo solidariedade é fácil concluir que nos percamos no caminho tentando achar a melhor definição, como nos diz Habermas, teórico alemão, em sua obra Ética do Discurso (Frankfurt, 1991) onde ele desenvolve o aspecto da justiça, da insensibilidade social, universalização do sentimento solidário e faz uma reflexão da índole histórica evolutiva da nossa espécie.

Habermas desperta nossa consciência para que possa fluir em nós o ato espontâneo de solidariedade, e nos ajuda a refletir até que ponto nós somos capazes de ajudar o próximo, este é o princípio pelo qual este teórico alemão parte, na busca pelo verdadeiro sentido da prática solidária. Entendemos que a solidariedade é algo que transcende nosso ser, é algo que deve ser trabalhado em nossa própria essência. Porém o ser humano tem dificuldades de atingir essa sensibilidade social, sendo assim, nosso autor, vem trazendo, justamente, essa idéia, ou seja, essa busca de conscientização solidária e justiça social, visando à igualdade para todos. O autor faz ainda, uma união entre justiça e solidariedade universal, mas não analisaremos sobre solidariedade no sentido geral e em termos amplos e sim sobre a escassa sensibilidade solidária na maioria dos seres humanos.

Ao se tratar do tema solidariedade é necessário nos apropriarmos de alguns conceitos diretamente relacionados com a questão da sensibilidade solidária e da biologia do amor.

Qual o nosso papel e qual a nossa compreensão diante das relações que surgem a partir do envolvimento com o tema?

O homem precisou viver e conviver compartilhando seu alimento, abrigo e cooperando com o outro para manterem-se vivos. Na relação do viver/conviver aparece a relação mútua, portanto. Surge a linguagem e o linguajar no estilo mais elaborado com sentido próprio e com códigos adaptados. O diálogo ou a conversação vem prenhos de emoção que surge com o amor que sustenta o entrelaçamento da linguagem e da emoção. O amor como fundamento biológico, como nos diz Maturana (1995) que acrescenta que “sem o amor, sem a aceitação do outro no dia-a-dia, não existia o fenômeno social”. O casamento para Maturana vem como resultado desse amor que envolve os seres e é brilhantemente lembrado no momento em que a mulher gera um filho e o mantém lá pelo amor-geratriz.

Propomos o desvendamento do olhar multifacetado de como ver a realidade e essa proposta de evolução pode vir da educação, buscando coerência entre teoria e prática, fazendo não somente que o aluno sinta-se sujeito, mas perceba todos em sua volta e que toda estrutura escolar compartilhe de uma constante evolução de transformação na prática, assim o efeito e a causa será o despertar da comodidade de uma nova visão, ganhando forças gradativamente e forçando (não força bruta) mas consciente; unido-se, fiscalizando, cobrando dentro dessa sociedade capitalista fazendo com que a política saia do papel, passando a vivenciar na prática como real e concreta; desmistificando qualquer manobra política e, nesse regaste de valores, a palavra solidariedade se encaixe no conceito real de solidariedade.




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