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Vamos Conversar?

Ano 8 - nº 74 - 15 de julho de 2009

A grandeza do não


Edna Paixão*

A criança começa a absorver e a adquirir hábitos bons desde o nascimento, através do exemplo dos pais e pessoas que convivem com ela.

1. Desde pequenos somos educados para agradar o outro. Quando ganhávamos roupa ao invés de brinquedos, éramos incentivados a agradecer, mesmo não gostando do presente.
2. O ser humano está sempre pré disposto a agradar, a dizer sim. Recentemente acompanhamos um trágico sequestro seguido de morte, simplesmente porque o rapaz não aceitou receber um não da namorada. Dentro deste quadro, onde presenciamos muitas vezes o adulto, sem querer enfrentar uma situação, mentir ou criar estratégias para não magoar. Temos como exemplo bem comum, o caso daquela mãe que, quando o telefone toca e ela não deseja falar, pede ao filho para dizer que ela não está. Isso ocorre porque ela não assume a verdade, e agindo assim, com certeza servirá de exemplo para os filhos.
3. Quando o filho deseja algo e não consegue, de imediato abre um berreiro, e aí vem a mamãe correndo e faz a sua vontade. Sendo assim, as crianças vão adquirindo hábitos de que conseguem o que querem se houver uma resistência ou uma insistência. Se ele diz que não quer almoçar, ele simplesmente não almoça e mais tarde a mamãe o presenteia com guluseimas e era esse o objetivo dele em conseguir comer aquele hamburguer, a pizza enfim...Tendo em vista tantos sins, hoje vivenciamos que dizer não é necessário diante de algumas propostas.

Dizer não, demonstra o quanto a pessoa tem personalidade e resistência a determinadas situações. Dizer não engrandece o homem.

Precisamos estar atentos às nossas necessidades, precisamos saber realmente aquilo que queremos e não aceitar o que o outro quer que eu faça. Só assim, estaremos diante de dizer com clareza que eu assumo aquilo que eu faço, e eu faço porque desejo e quero. Na maioria das vezes, fazemos o que o outro quer. Na realidade a vida não é assim, porque somos um ser único, independente, e que os riscos que corremos diante de um erro, quem arcará com as consequencias somos nós, então porque aceitar sempre? Onde estão nossos valores? Nossa personalidade? Onde estão nossos conceitos e nossas decisões? Porque devemos sempre agradar?

Presenciamos adultos indecisos, viciados, problemáticos que concordam com tudo, que aceita sem questionar, sem reclamar os seus direitos porque teve a criação do SIM.

1. Repensar e mudar vale a pena.
2. Fica demonstrado que um "não" a tempo, pode ser saudável, para o ser humano de hoje e para a sociedade do futuro. Embora possa parecer estranho, dizer não é uma parte vital das relações de amor e contribui desenvolvendo a autonomia e a maturidade da criança. Vamos criar nossos filhos com o direito a discutir, questionar, decidir e porque não, de dizer Não!

Por detrás de cada "não" durante a formação, há milhões de "sim" no futuro.

Negar não significa uma rejeição ou agressão ao outro, diz que na verdade pode demonstrar uma crença na força e na capacidade intelectual do indivíduo.

*Edna Paixão é pedagoga, psicopedagoga, administradora escolar e fundadora do Centro Educacional André Luiz, na cidade do Rio de Janeiro.

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Continue a leitura da Edição 74 da Revista ReConstruir.

 

 

 

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