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Vamos Conversar? Ano 8 - nº 73 - 15 de junho de 2009 Limites, sim ou não?*
Antigamente, ninguém sequer discutia o assunto. Criança não sabia e, portanto, precisava aprender. E nós, adultos, tínhamos de ensinar. De maneira que, por exemplo, quando o menino fazia algo errado, respondia mal à vovó, agredia um coleguinha ou não queria fazer o "dever de casa" os pais não tinham dúvidas - agiam, corrigiam, "davam castigo" - muitos até batiam!!! Com as mudanças ocorridas durante o século vinte, tanto no campo das relações humanas como no da educação, as pessoas foram aprendendo a respeitar as crianças, entendendo que elas têm, sim, querer, gostos, aptidões próprias e até indisposições passageiras - exatamente como nós, adultos. Com isso, sem dúvida, muita coisa melhorou para as crianças - e, claro, para nós adultos também.O relacionamento entre pais e filhos ganhou mais autenticidade, menos autoritarismo. O poder absoluto dos pais sobre os filhos foi substituído por uma relação mais democrática. E o entendimento cresceu... Todos ficaram felizes... Será? Será que as coisas aconteceram assim de forma tão harmoniosa, com todos? Na verdade, não. Em muitos casos, surgiram problemas, porque ocoreram uma série de enganos e distorções em relação a essa nova forma de relacionamento familiar (...) Como saber a hora de dizer sim e a hora de dizer não? (...) Ser um pai moderno é não perder a autoridade, sem deixar que os filhos cresçam sem limites, e sem capacidade de compreender e enxergar o outro - habilidades básicas e essenciais para quem deseja criar cidadãos, seres humanos capazes de praticar o humanismo com a mesma naturalidade com que respiram! Para possibilitar o surgimento desse ser humano maravilhoso é necessário que os pais tenham certeza de uma coisa: dar limites é importante. Não pode haver dúvidas quanto a isso. É fundamental acreditar que dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro. Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites - e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. *Texto extraído do livro "Limites sem Trauma". **Tania Zagury é filósofa, pesquisadora e mestre em educação, tendo publicado diversos livros. .................................... Continue a leitura da Edição 73 da Revista ReConstruir.
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