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Ano 8 - nº 68 - 15 de novembro de 2008

O tal do "hoje em dia"

por Tânia Reato*

O tal do "Hoje em Dia..." É sempre com muito pesar que, atônitos, presenciamos estas noticias envolvendo adolescentes e jovens que se despojam da vida como se essa fosse uma mera brincadeira sem maiores conseqüências...Mais aí me pergunto: adolescentes ? Namoro aos treze anos com permissão dos pais ? O que eu fazia nesta idade? Brincava de bonecas! Talvez, já pensasse no "príncipe encantado", mas ele, nesta idade, não saía da cabeça de menina para exteriorizar-se na vida real...Maquiagem? Para que? Pele de oito, dez, treze anos não requer maquiagem, pois o brilho da "meninice" e jovialidade traz a beleza natural que esta idade exibe.

"É mais os tempos são outros", dizem alguns, hoje não temos mais meninas-moças, temos meninas -mulheres e roubamos o tempo delas incentivando-as ou apoiando-as de um modo imaturo e inconseqüente, a viver um tempo que não lhes pertence, antecipando um amadurecimento pelo qual não estão e nem poderiam estar, preparadas. Arrancamos o fruto verde e impróprio para as funções reais da vida.

Compramos para nossas filhas as famosas botas de salto, as vestimos como "donzelas" que já não têm mais o "pai que é uma fera". Entregamos as nossas meninas em braços de namorados com quase o dobro da idade delas crendo que "não tem jeito, são tempos modernos". Pensamos que elas "tudo já sabem", falamos que são "prodígios". Que "estão adiantadas, maduras o suficiente para escolher seus caminhos". Que são avisadas sobre todas as questões referentes ao sexo e demais assuntos de cunho adulto porque "hoje em dia..." , e assim, não dizemos "NÂO" ao salto alto que destrói a coluna da criança de sete anos, não dizemos "NÂO" às programações que não cabem a elas assistirem, aliás, muito cômodo isso, já que ler histórias e ter longos bate-papos estão " fora de moda, já era".

Alegamos saberem mais que os adultos pelo acesso livre a internet, permitido e não supervisionado, pelos pais ou responsáveis. Compensamos nossa ausência facilitando e liberando geral, fingindo estar evitando atritos, "traumas" familiares, quando não, as presenteamos com o celular novo, às vezes comprado em parcelas a perder de vista ou, ainda, com confortos exagerados, exigindo de nós mesmos mais trabalho, portanto, menos horas de companhia com os nossos adolescentes e jovens em plena formação de valores e caráter.

Isso quando não deixamos para as escolas e seus professores, (nem sempre preparados), a educação de nossos filhos, sendo que, à escola, cabe o papel de instruir, informar, intelectualizar e outros segmentos diferentes da educação que deve ser dada no lar, seio da família, porém, convenientemente contamos com o carinho e competência da mesma, e esquecemos que raras são as escolas que podem oferecer este "serviço" por razões óbvias, já bastante discutidas.

Abrimos nossa porta e recebemos "os amiguinhos" de nossos filhos sem saber quem são ou sem prestar atenção às conversas, gestos, olhares, ações, reações e quando o fazemos, por força da imposição que, por acaso. se apresenta, dizemos: "nada sério é coisa da idade", e lamentavelmente corremos o risco, não raro, de chegar um dia em que ela ou ele nos chame, drasticamente, a atenção sendo manchete de jornais... Assim, surpresos, emitimos a famosa pergunta: "Onde foi que errei?"...

*Tânia Reato é leitora da revista ReConstruir e reside em São João da Boa Vista, SP.

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Continue a leitura da Edição 68 da Revista ReConstruir.

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