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Pensando a Educação
Ano 9 -
nº 83 - 15 de junho de 2010
Essas
outras violências
Você seria capaz de cravar um punhal no coração da sua
mãe, da sua esposa, do seu marido, do seu filho ou da sua
irmã?
Talvez a pergunta tenha lhe causado um grande choque. Quase
podemos adivinhar a resposta de alguns: “eu jamais seria capaz de fazer
uma coisa dessas a ninguém, muito menos às pessoas que
amo”.
É provável que aqueles que deram essa resposta
estejam certos. Mas, ainda assim, vamos refletir um pouco mais sobre o
assunto.
Você diz que nunca cravaria um punhal no
coração da sua mãe, no entanto, cada vez que a agride com palavras
amargas, você a mata um pouquinho.
Toda vez que você
fica indiferente aos seus nobres conselhos, o seu coração enternecido
morre um pouco.
Cada vez que você sai, sem dizer para
onde vai, e volta altas horas da madrugada, a vitalidade da sua mãezinha
vai se apagando junto com as horas de vigília e preocupação madrugada a
dentro...
Quando você, por se achar mais esperto e
moderno que seus pais, resolve enveredar pelo caminho das drogas, eles
morrem, dia após dia, pela incerteza do futuro que o aguarda e pela dor
que sentem no próprio peito a cada tragada ou picada que você se
permite.
Toda vez que sua ingratidão fere o coração de
seus pais, esteja certo de que você os está matando, ainda que não traga
nas mãos nenhum punhal.
Mas você afirma que não teria
coragem de matar sua esposa.
No entanto, cada vez que
não percebe os apelos silenciosos nos seus olhos suplicantes, você a está
matando um pouquinho.
Toda vez que não se envolve na
educação dos filhos, mesmo
diante da sua insistência, e prefere assistir ao telejornal, fazendo-se
surdo-mudo, ela morre um pouquinho.
Quando você fica
indiferente aos esforços que ela faz para lhe agradar, preparando sua
comida predileta ou uma surpresa agradável, é como se cravasse em seu
peito um punhal.
Cada vez que você alega excesso de
serviço para não acompanhá-la ao médico ou a uma festa na escola dos
filhos, a sensação de estar só destrói um pouco a sua
vitalidade.
Quantas vezes você já não cravou o punhal da
indiferença no coração do seu esposo?
Quantas vezes você
matou seus sonhos, que eram o sustento dos seus dias, fazendo-se fria aos
seus carinhos para buscar, noutros braços, a ilusão de uma aventura
passageira?
Mas você também assegura não ser capaz de
dilacerar o coração do seu filho com arma alguma. No entanto, quando
ignora suas necessidades de carinho, atenção, respeito e educação, você o está
envenenando da forma mais cruel.
Quando nega a seu filho
a proteção de um lar sólido, harmonioso, capaz de fazê-lo sentir-se
amparado, seguro e amado, a pretexto de não estragar a sua felicidade,
estará levando aos lábios dele a taça envenenada com o fel do egoísmo,
capaz de provocar-lhe morte lenta e dolorosa.
Assim,
vale pensar nessas outras formas de violências, veladas, que muitas vezes
promovemos sem perceber.
A ingratidão, a indiferença, as
palavras amargas, a infidelidade, o desrespeito, as chantagens emocionais,
são causadores de muitas mortes lentas e muito mais doloridas que um
punhal cravado no peito.
Talvez você nunca tenha parado
para pensar a esse respeito, mas essa é a dura
realidade.
Nossos afetos também morrem de
desgosto.
Por todas essas razões, comecemos agora a
prestar atenção em nossas ações e esforcemo-nos para fazer aos outros o
que gostaríamos que eles nos fizessem. Eis uma receita infalível,
recomendada pelo Cristo, há muitos séculos.
Pense
nisso!
Seja você alguém sempre atento às pessoas
que fazem parte da sua experiência evolutiva.
Aprenda a
sentir as súplicas, muitas vezes veladas, daqueles que estão mais
próximos. Ouça seus apelos mais secretos, pois só assim conseguirá a
sublime ventura de construir a felicidade do seu próximo e, por
conseguinte, a própria felicidade.
Fonte:
www.momento.com.br
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Continue a
leitura da Edição
83 da Revista ReConstruir.
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