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| Ano 10 - nº 85 - Abril de 2011 - A revista do educador www.educacaomoral.org.br/reconstruir |
| Pelos Caminhos da Educação Nadja do Couto Valle É melhor prevenir do que remediar Em tempos de reinício de aulas, em que as cabecinhas estão mais dispostas e descansadas, e os ânimos otimistas, é também aconselhável usar a prudência e o planejamento, para evitar surpresas. A sabedoria popular ensina que não adianta “chorar pelo leite derramado”, que se aplica a certas situações em que não se pode anular o que se fez ou disse, ou mesmo em que absolutamente nada se pôde fazer porque não dependeu da vontade de qualquer dos indivíduos na situação. Mas no caso do acompanhamento do processo de aprendizagem há muito a ser feito, para evitar surpresas que venham a comprometer o rendimento escolar. A questão que se põe diz respeito a o que fazer, e quando: se durante o ano, ou no chamado período de recuperação, ou na época das avaliações finais, ou em qualquer outra época. Muitos poderão surpreender-se diante de nossa proposta de pensarmos agora, no início do ano, sobre o que podemos fazer como contribuição ao sucesso pessoal e acadêmico de nossos filhos e alunos. Sim, porque criança feliz na vida, de um modo geral, é criança que rende mais e melhor na escola. Há algumas providências recomendáveis, procedimentos que podem auxiliar os pais nessa situação e que podem ser aplicados tanto por pais quanto por professores. Primeiramente, avaliar permanentemente o processo da relação da criança e do jovem com o conteúdo e com a realidade que os cerca, ou seja, se gosta/não gosta da matéria etc., e investigar, em estreita colaboração escola-família, a possível causa dessa postura do aluno, positiva ou negativa, com relação à matéria e/ou à realidade escolar. As inequívocas contribuições que as pesquisas na área da inteligência emocional trouxeram para todos os campos da atuação humana estendem-se, naturalmente, à área da Educação e às questões afetas ao exercício da prática didático-pedagógica, em sala de aula e no ambiente escolar como um todo. Assim, ser e mostrar-se amigo, como pais e professores, é recomendação que encontra respaldo científico, mas com as ressalvas de que se deve estar presente, mas sem pieguismo, o que não exclui a função supervisora, estreita, direta e permanente, em torno das atividades de crianças e jovens. E nesse mesmo campo da inteligência emocional, é preciso que adultos estejam preparados para não ceder a chantagens do tipo: “Puxa, estou exausto(a), morrendo de cansaço!”, ou: “Ora, todos os meus colegas vão à festa/ao parque/à praia/etc.” ou ainda: “Puxa, fico aqui como um escravo, um prisioneiro, não saio para nada, não me distraio, não vou a lugar nenhum!” Você certamente já ouviu alguma coisa desse tipo. É possível que tenha cedido, e se o fez, não volte a fazê-lo. Se não cedeu, parabéns: é importante ser firme, ainda que delicado, gentil. Essa é a postura saudável para pais não caírem na armadilha de desenvolver a percepção de que o filho é “coitadinho” ... porque estuda! Isto significa contribuir para que seu filho desenvolva a auto-percepção de que é mesmo um coitadinho, o que pode ter consequências, redundando em basicamente duas posturas: a) julgar que o mundo lhe “deve” favores ou favorecimentos porque ele se “sacrifica” estudando; b) julgar que há um peso enorme que lhe pesa nos ombros, que lhe cobra renúncias que o tornam infeliz e descompensado com relação aos colegas e amigos. Esta postura contribui para ensinar e estimular filhos e alunos a assumirem responsabilidade por todas as coisas, ou seja, o esforço é sempre passagem obrigatória para todo objetivo honesto bem sucedido, inclusive, naturalmente, a aprovação na escola. E se começarmos logo agora, no início do ano, eles vão aprender também que planejamento ajuda a atingir objetivos com sucesso, sem sofrimento e sem desgastes, tão somente cumprindo o dever. Nesse particular, é fundamental não aceitar, e muito menos “ajudar” os filhos a encontrarem “justificativas” que os afastem dos objetivos propostos e, portanto, dos deveres que lhes são próprios, do tipo: “Ah, só hoje, você não vai à escola, depois você pega a matéria com um coleguinha”, e assim por diante. Devemos, nós, cumprir com todas as nossas obrigações e deveres, como professores e pais, a fim de conquistarmos credibilidade junto a nossos filhos e alunos, e, portanto, autoridade moral para cobrar deles o cumprimento de suas responsabilidades e deveres. E devemos igualmente estar em postura de vigilância para não demonstrar descontentamentos com nossa vida, evitando o perfil de pessoas que, como professores e pais, transmitem a mensagem pessimista, derrotista, de que se sentem “coitadinhos” porque trabalham muito, ou porque são mal remunerados, porque não podem dispor de tempo para o lazer, porque os filhos e alunos solicitam demais de sua atenção e de seu tempo e assim por diante. Essa postura mental, psíquica, espiritual, é passada a crianças e jovens como mensagem de um panorama íntimo de autocomiseração, que é, como nos informa a psicologia, um elemento corrosivo do psiquismo humano. Enfim, oferecer, a cada dia, a mensagem de otimismo no cumprimento dos deveres bem cumpridos, com alegria e dignidade. Afinal, pais e professores continuam sendo modelos para as mentes em formação, de crianças e jovens, na condição de filhos e alunos. Nadja do Couto Valle é Doutora em Filosofia, Mestre em Educação, Professora Universitária, Ex-Diretora do Colégio de Aplicação da UERJ. |
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