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Os educadores Da Redação Lawrence Stenhouse: o professor dever ser sempre um aprendiz
Lawrence Stenhouse
dizia que todo professor deveria assumir o papel de aprendiz. Muitos
dos atuais programas e materiais de educação continuada partem
exatamente desta premissa: quem mais precisa aprender é aquele que
ensina. Quando o professor está aberto para aprender continuamente,
deixa de se comportar como dono do saber. "Creio que a maior
parte do ensino que se oferece nas escolas e universidades estimula
esse erro"
Vida e Exercício
Profissional Filho de escoceses,
Lawrence Stenhouse nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 1926. Aos
30 anos concluiu o mestrado. Foi docente da Educação Básica antes
de iniciar carreira na universidade. Sua primeira experiência foi na
Durham University. Depois se transferiu para a Jordanhill College of
Education, em Glasgow, a capital da Escócia. Faleceu em 1982
Método
pedagógico Em 1966 foi
convidado a assumir a direção do Humanities Project — um projeto
de desenvolvimento curricular do Reino Unido. Nesse cargo, teve a
oportunidade de modificar um conjunto de teorias em estratégias que
educadores de qualquer nível de ensino podiam utilizar. Aproveitou
para incorporar nesse projeto algumas de suas preocupações, como o
direito do aluno ao saber, a conexão dos conteúdos escolares com o
conhecimento de mundo e o valor do diálogo como método pedagógico.
O projeto foi testado durante dois anos, até 1970.
Principal contribuição Lawrence Stenhouse
criou, a partir de 1970, com alguns colegas, o Centre for Applied
Research in Education, na Universidade de East Anglia, na cidade
britânica de Norwich. O objetivo do centro era compreender os
problemas da prática docente, sem perder de vista a idéia do
professor como pesquisador. Em 1975 escreveu An Introduction to
Curriculum Research and Development (Uma Introdução à Pesquisa e
ao Desenvolvimento Curricular), sua obra mais conhecida. Foi um
educador que defendeu um posicionamento investigativo por parte dos
professores. Tem trabalhos publicados na área de formação de
professores. Uma de suas máximas é a de que não pode haver
desenvolvimento curricular sem desenvolvimento profissional de
professores. Para Lawrence Stenhouse, todo professor deveria atuar
como um investigador para ser capaz de criar o próprio currículo.
Investigação e experimentação É impossível falar
em professor-pesquisador sem citar o nome de Lawrence Stenhouse. A
necessidade de utilizar a investigação como recurso didático já
era discutida desde a década de 1930, mas foi esse inglês quem
jogou luz sobre o tema, 30 anos mais tarde. "A técnica e os
conhecimentos profissionais podem ser objeto de dúvida, isto é, de
saber, e, consequentemente, de pesquisa", justificava. Assim,
acreditava ele, todo educador tinha de assumir seu lado
experimentador no cotidiano e transformar a sala de aula em
laboratório. E, tal qual um artista, que trabalha com pincéis e
tintas e escolhe texturas e cores, o profissional da educação
deveria lançar mão de estratégias variadas até obter as melhores
soluções para garantir a aprendizagem da turma. Em condições
ideais, todos seriam capazes de criar o próprio currículo, adequado
à realidade e às necessidades da garotada.
Postura reflexiva "Suas ideias,
que têm mais de 40 anos, estão na pauta da educação atual",
diz a professora Menga Lüdke, do Departamento de Educação da
Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. De fato,
os conceitos mais recentes sobre as competências para ensinar
incluem a postura reflexiva, a capacidade de analisar a própria
prática e a partir dessa análise efetuar ajustes e melhorias no
trabalho de sala de aula.
Campo de tensões educativas Mas nem sempre foi
assim. Muitas das propostas de Stenhouse foram desprezadas porque ele
procurava resolver problemas - como o da autoridade do professor em
sala de aula - com propostas educativas de efeitos de médio e longo
prazo. E muita gente, dentro da própria escola, prefere soluções
instantâneas.
Sem medo de
aprender Lawrence Stenhouse
dizia que todo professor deveria assumir o papel de aprendiz. Esse é
um tema recorrente no pensamento educacional. Muitos dos atuais
programas e materiais de educação continuada partem exatamente
desta premissa: quem mais precisa aprender é aquele que ensina.
Quando o professor está aberto para aprender continuamente, deixa de
se comportar como dono do saber. "Creio que a maior parte do
ensino que se oferece nas escolas e universidades estimula esse
erro", afirmou o pensador na aula inaugural que proferiu na
Universidade de East Anglia, na Inglaterra, em 1979, intitulada
Research as a Basis for Teaching (A Pesquisa como Base para Ensinar).
É por isso que muitas pessoas que passaram pela escola têm com o
saber uma relação de pouca autonomia, entendendo-o como reafirmação
da certeza autorizada. A elas foi negado o prazer de viver a aventura
do conhecimento investigativo.
Projetos de
Trabalho Stenhouse foi
pioneiro em defender que o ensino mais eficaz é baseado em pesquisa
e descoberta. Mais uma vez se pode identificar o pensamento desse
notável pedagogo inglês em métodos muito atuais, como os projetos
de trabalho. Para que eles funcionem, é preciso, como recomendava
Stenhouse, que o professor deixe de colocar-se como autoridade cujo
conhecimento não suporta contestação.
A autoridade em
sala de aula Na década de 1970,
Stenhouse fundou, junto com um grupo de colegas, o Centre for Applied
Research in Education, Care (Centro para Pesquisa Aplicada em
Educação), dentro da Universidade de East Anglia. Seu objetivo
principal era elaborar um modelo de ensino no qual todo professor
fosse capaz de manter a autoridade, a liderança e a responsabilidade
em sala de aula sem transmitir a mensagem de que só o saber lhe
confere esse poder.
Linha pedagógica Ele propôs, mais
uma vez, um modelo de ensino baseado na pesquisa. Até hoje o Care
tem como foco a necessidade de desenvolver nos docentes da Educação
Básica a consciência de que a investigação ajuda - e muito - no
dia-a-dia. Essa é a versão inglesa do professor reflexivo, idéia
cara a outros pensadores europeus. As experiências desenvolvidas na
Inglaterra provaram que é possível ser mais autônomo e, ao mesmo
tempo, agir de forma coerente com os valores e princípios do projeto
educacional. Para Stenhouse, a investigação no cotidiano escolar
deveria envolver, além dos professores, também os estudantes e a
própria comunidade. É o que passou a ser chamado de pesquisa-ação:
classes que servem de laboratório, mas permanecem sob o comando de
professores, não de pesquisadores.
Stenhouse na
escola: autonomia no currículo Stenhouse estimulou
a pesquisa na Educação Básica, mas dizia que o professor também
deveria se preocupar em desenvolver o próprio currículo escolar.
Para ele, esse processo se daria por meio da reflexão de cada
profissional sobre sua prática diária - um conceito, sem dúvida,
atual. Muitos afirmam hoje que o docente não deve ser um mero
transmissor de conteúdos previamente definidos, mas um sujeito que
pensa e analisa criticamente seu ofício. "A investigação é o
único meio de construir um pensamento independente e não mais
reproduzir o discurso alheio", analisa a professora Menga Lüdke,
da PUC do Rio. "Quem tem uma pesquisa competente como rotina
fica mais autônomo e tem plenas condições de desenvolver um
currículo próprio." Sem esquecer o alerta deixado por
Stenhouse: na hora de definir o plano curricular, é preciso sempre
trocar experiências com os colegas e os estudantes.
Para pensar Lawrence Stenhouse
defendia a figura do professor-pesquisador. Ele julgava necessário
que o docente tivesse pleno domínio da prática pedagógica e
acreditava na investigação como único caminho para isso. Portanto,
a investigação em sala de aula deve ser voltada para a prática.
Não é um trabalho acadêmico e puramente teórico. A expressão
pesquisa-ação, criada por ele e divulgada por seus seguidores, quer
dizer exatamente isso: pesquisa que se faz do fazer e para melhorar o
fazer do professor ou de outros profissionais. Dentro dessa
concepção, você se considera um pesquisador? O curso de formação
de professores está preparando os profissionais de amanhã a
praticar essa pesquisa-ação, expressão cara não só para
Stenhouse, mas para todos que se dedicam ao aperfeiçoamento da
prática pedagógica?
Principais pensamentos "A
técnica e os conhecimentos profissionais podem ser objeto de dúvida,
isto é, de saber, e, consequentemente, de pesquisa"
"O
pesquisador da educação e o
docente devem compartilhar a mesma linguagem"
"Os
professores que se destacam transformam o ensino na
aventura da educação. Outros
podem adestrar-nos"
"Os
estudantes rendem mais quando são recebidos e acolhidos com
consideração"
Sites pesquisados http://novaescola.abril.com.br/ed/165_set03/html/pensadores.htm
http://pt.wikiquote.org/wiki/Lawrence_Stenhouse
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/lawrence-stenhouse-307624.shtml Interação Envie seu comentário para reconstruir@educacaomoral.org.br.
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