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Os Educadores Ano 9 - nº 81 - 15 de abril de 2010 Krishnamurti: a educação espiritual do ser da Redação
Resumo
Biográfico Com seus três irmãos, os que sobreviveram de um total de dez, acompanhou seu pai Jiddu Narianiah a Adyar em 23 de janeiro de 1909, pois este conquistara um emprego de secretário-assistente da Sociedade Teosófica, entidade que estuda todas as religiões. Reza a tradição brâmane, a qual a família era vinculada, que o oitavo filho toma no batismo o nome Krishna, em homenagem ao deus Sri Krishna, de quem a mãe, Sanjeevamma, era devota; foi o que aconteceu com Krishnamurti, a quem foi dado o nome de Krishna, juntamente com o nome de família, Jiddu. Com a idade de treze anos, passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo. Em Adyar, Krishnamurti foi descoberto por Charles W. Leadbeater, famoso membro da Sociedade Teosófica, em abril de 1909, que, após diversos encontros com o menino, viu que ele estava talhado para se tornar o Instrutor do Mundo, acontecimento que vinha sendo aguardado pelos teosofistas. Após dois anos, em 1911 foi fundada a Ordem Internacional da Estrela do Oriente, com Krishnamurti como chefe, que tinha como objetivo reunir aqueles que acreditavam nesse acontecimento e preparar a opinião pública para o seu aparecimento, com a doação de diversas propriedades e somas em dinheiro. Krishnamurti assim foi sendo preparado pela Sociedade Teosófica; algo, porém, iniciou sua separação de seus tutores: a morte de seu irmão Nitya em 13 de novembro de 1925, que lhe trouxe uma experiência que culminou em uma profunda compreensão. Krishnamurti em breve viria a emergir como um instrutor espiritual, e dito Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido. As suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religião específica, nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade: "Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação.(…)". Durante o resto da existência, foi rejeitando insistentemente o estatuto de guia espiritual que alguns tentaram lhe atribuir. Continuou a atrair grandes audiências por todo o mundo, mas recusando qualquer autoridade, não aceitando discípulos e falando sempre como se fosse de pessoa a pessoa. O cerne do seu ensinamento consiste na afirmação de que a necessária e urgente mudança fundamental da sociedade só pode acontecer através da transformação da consciência individual. A necessidade do autoconhecimento e da compreensão das influências restritivas e separativas das religiões organizadas, dos nacionalismos e de outros condicionamentos, foram por ele constantemente realçadas. Chamou sempre a atenção para a necessidade urgente de um aprofundamento da consciência, para esse "vasto espaço que existe no cérebro onde há inimaginável energia". Essa energia parece ter sido a origem da sua própria criatividade e também a chave para o seu impacto catalítico numa tão grande e variada quantidade de pessoas. A educação foi sempre uma da preocupações de Krishnamurti. Fundou várias escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos podem aprender juntos a viver um cotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior. Durante sua vida, viajou por todo o mundo falando às pessoas, tendo falecido em 1986, com a idade de noventa anos. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de sessenta livros. Pensamento
Educacional Acreditava que somos, desde nossas infâncias, moldados, não para aprender e enriquecer culturalmente e sim para agirmos de acordo com o que convêm ao sistema imposto. Para ele, somos engessados pela cultura da sociedade onde vivemos e, mais do que isso, cerceados de termos nossas próprias convicções e impelidos à padronização intelectual. Acreditava que vários símbolos foram criados com o intuito de nos padronizar, sufocando a individualidade, como, por exemplo, os deveres escolares, as notas e avaliações. Não acreditava que tais práticas premiavam o pensar e sim o decorar. Criticava ainda a inaceitação dos professores que não querem ser questionados e via em símbolos, tidos como pequenos, como a própria uniformização, meios para padronizar as crianças a aceitar, desde cedo, o que a escola impõe, tornando-se uma educação totalmente passiva, sem traços e possibilidade de um equilíbrio ativo.
Produção
Literária .................................... Continue a leitura da Edição 81 da Revista ReConstruir.
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