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Os Educadores Ano 8 - nº 71 - 15 de abriç de 2009 Fernando de Azevedo: pioneiro, revolucionário, educador acima de tudo da Redação
Fernando de Azevedo, professor, educador, crítico, ensaísta e sociólogo, nasceu em São Gonçalo do Sapucaí, MG, em 2 de abril de 1894, e faleceu em São Paulo, SP, em 18 de setembro de 1974. Eleito em 10 de agosto de 1967 para a Cadeira n° 14 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo a A. Carneiro Leão, foi recebido em 24 de setembro de 1968, pelo acadêmico Cassiano Ricardo. Filho de Francisco Eugênio de Azevedo e de Sara Lemos Almeida de Azevedo, cursou o ginasial no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo. Durante cinco anos fez cursos especiais de letras clássicas, língua e literatura grega e latina, de poética e retórica; e, em seguida, cursou Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de São Paulo. Foi, aos 22 anos, professor substituto de latim e psicologia no Ginásio do Estado em Belo Horizonte; de latim e literatura na Escola Normal de São Paulo; de sociologia educacional no Instituto de Educação da Universidade de São Paulo; catedrático do Departamento de Sociologia e Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Professor emérito da referida faculdade da USP. Foi Diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal (1926-30); Diretor Geral da Instrução Pública do Estado de São Paulo (1933); Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Paulo (1941-42); Membro do Conselho Universitário por mais de doze anos, desde a fundação da Universidade de São Paulo; Secretário da Educação e Saúde do Estado de São Paulo (1947); Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais, que ele instalou e organizou (1956-61); Secretário de Educação e Cultura no governo do prefeito Prestes Maia (1961); redator e crítico literário de O Estado de São Paulo (1923-26), jornal em que organizou e dirigiu, em 1926, dois inquéritos um sobre a arquitetura colonial, e outro sobre Educação Pública em São Paulo, abordando os problemas fundamentais do ensino de todos os graus e tipos, e iniciando uma campanha por uma nova política de educação e pela criação de universidades no Brasil. No Distrito Federal (1926-30), projetou, defendeu e realizou uma reforma de ensino das mais radicais que se empreenderam no país. Traçou e executou um largo plano de construções escolares, entre as quais as dos edifícios na rua Mariz e Barros, destinados à antiga Escola Normal, hoje Instituto de Educação. Em 1933, quando Diretor Geral da Instrução Pública do Estado de São Paulo, promoveu reformas, consubstanciadas no Código de Educação. Fundou em 1931, e dirigiu por mais de 15 anos, na Companhia Editora Nacional, a Biblioteca Pedagógica Brasileira (B.P.B.), de que faziam parte a série Iniciação Científica e a coleção Brasiliana. Foi o redator e o primeiro signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (A reconstrução educacional no Brasil), em 1932, em que se lançaram as bases e diretrizes de uma nova política de educação. Foi presidente da Associação Brasileira de Educação em 1938 e eleito presidente da VIII Conferência Mundial de Educação que deveria realizar-se no Rio de Janeiro. Eleito no Congresso Mundial de Zurich (1950) vice-presidente da International Sociological Association (1950-53), assumiu com os outros dois vice-presidentes, Morris Ginsberg, da Inglaterra, e Georges Davy, da França, a direção dessa associação internacional por morte de seu presidente, Louis Wirth, da Universidade de Chicago. Membro correspondente da Comissão Internacional para uma História do Desenvolvimento Científico e Cultural da humanidade (publicação da Unesco); um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Sociologia, de que foi presidente, desde sua fundação (1935) até 1960; foi presidente da Associação Brasileira de Escritores (seção de São Paulo). Durante anos escreveu para O Estado de São Paulo. Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (1943); Cruz de Oficial de Legião de Honra, da França (1947); Prêmio de Educação Visconde de Porto Seguro, conferido pela Fundação Visconde de Porto Seguro, de São Paulo (1964); Prêmio Moinho Santista (1971) em Ciências Sociais. Pertenceu à Academia Paulista de Letras. Obras
Princpais
idéias Ao desenvolver a noção de trabalho social em grupo, Azevedo estimula o rápido e efetivo crescimento e o aperfeiçoamento, através de uma “sintonia fina comparativa” aos parceiros de lida, de aspectos psicomotores, como os da lateralidade, equilíbrio e organização espacial, incentivados em seu desenvolvimento máximo pelos salutares jogos de competição em equipes. Também propunha o estimulo às práticas higiênicas de asseio e cuidados pessoais, bem como uma eficiente assistência médica e dentária, estimulando a construção de uma imagem corporal positiva, tornando a criança partícipe dos cuidados com o seu próprio corpo, estimulada a tal prática ao se perceber valorizada pelos cuidados externos da instituição escolar. Também a opção pelo despertar nas tenras mentes infantis das noções de trabalho em cooperação, para além das leis psicológicas elementares de sobrevivência pela ação individual, fazia parte do pensamento de Fernando de Azevedo, proporcionando ao aprendente uma percepção de orientação temporal mais facilitada, ao apresentar-lhes um delineamento das tarefas sociais que se lhes oferecem ao longo da vida. Interessar as crianças já a partir de tenra idade, na assimilação e no desenvolvimento de seu espaço social por excelência: a escola. Apresentá-las à importante noção de sistema estrutural; ou seja, de governo; integrando-a a uma sociedade em miniatura formada por pequenas comunidades de labor, nas quais elas se habituem a zelar, vigiar, defender, assistir, intervir e, por fim, administrar este meio, preparando-a efetivamente, para a inserção no corpo social maior que é a comunidade humana. Tudo isso pensou e trabalhou por realizar o educador brasileiro Fenando de Azevedo. .................................... Continue a leitura da Edição 71 da Revista ReConstruir.
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