Ano 11 - nº 89 - Fevereiro de 2012 - A revista do educador
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Olhar Crítico
Da Redação
A escola e sua humanização




Educadores brasileiros e de diversos países têm espontaneamente feito críticas ao modelo atual de escola que temos, falando da necessidade de transformação em uma escola mais humanizada. Na verdade, desde a primeira metade do século vinte, com outras palavras, essa questão já merecia abordagem dos educadores escolanovistas, como Celestin Freinet na França, e Anísio Teixeira no Brasil. Mas o tema tomou relevância nos últimos tempos, face a alguns dados assustadores: alto índice de violência entre alunos; desrespeito dos alunos para com os professores; processos judiciais de pais e responsáveis contra professores; agressão verbal e até mesmo física de professores para com alunos; crescimento do estresse, das licenças médicas e demissões dos professores; depredações das escolas; evasaão escolar exacerbada.

Caminhos alternativos devem ser encontrados, e estão em funcionamento, como, por exemplo, as Escolas Waldorf (Rudolf Steiner), a Escola da Ponte (José Pacheco), a Escola do Sentimento (IBEM), entre outras experiências gratificantes tanto em terras brasileiras quanto estrangeiras, mas ainda são exceção à regra. Também vale lembrar as experiências com projetos de gestão de conflitos, com bons resultados.

Afirma Nelino Azevedo de Mendonça, que é Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco e pesquisador do pensamento de Paulo Freire, que "A importância de repensar o papel da escola enquanto instituição responsável pelos processos formativos destinados às maiorias sociais surge, atualmente, como uma condição fundamental para que se possa reorientá-la na direção dos interesses, anseios, desejos e realidade sociocultural das classes populares. Tal necessidade se justifica pelo fato de a escola não responder, tanto na sua concepção quanto na sua organização, às expectativas que as classes populares da sociedade esperam dela, que é contribuir de forma substantiva para o seu êxito social. Essas questões devem ser consideradas para que se repense a escola no que diz respeito ao seu papel histórico, à sua meta educacional e à sua finalidade, enquanto ofertante de processos educacionais dirigidos às populações historicamente excluídas da sociedade".



Prof. Nelino Mendonça

Repensar o papel da escola é tarefa urgente, pois se ela encontra-se distante dos anseios populares, conclui-se que, como instituição social de educação do ser humano, não está cumprindo seu papel, mantendo à margem a população da qual deveria ser impulsnioanadora para patamares sociais mais altos. E, de fato, as chamadas periferias, embora tenham oferta de ensino público, ele é, sabidamente, de baixa qualidade.

Para a professora Vilma Maria Dardengo, que é consultora educacional, "Humanizar a escola é começar a tratar como humanos aqueles que a fazem, sim. A Escola é espaço de construção. Recriar o espaço físico com outra arquitetura, humanizar a gestão humanizando o gestor, humanizar o professor e assim, encantar o estudante, esse eterno aprendiz. Aprendizes, também, os gestores e os professores. A humanização da escola transformará a escola num espaço de ensinos e de aprendizagens".


Profa. Vilma Dardengo

Pode parecer estranho falar-se da necessidade de, na escola, tratarmos as pessoas como seres humanos, mas é realidade que nosso sistema de ensino considera o aluno como um número, uma coisa, e não como gente. E também as várias instâncias governamentais têm tratado o professor como uma espécie de burro de carga, que nem salário decente recebe. Esse quadro tende a mudar com o estabelecimento do piso nacuional de salário para o magistério, mas que ainda não é obedecido por muitos municípios, e que está aquém das reinvindicações e necessidades dos professores.

A escola deve ser espaço de reconstrução de saberes e preparação para a vida, e não apenas lugar onde se estudam conteúdos curriculares e se preparam alunos para fazer frente a provas e exames nacionais.

Por esses motivos o professor Joe Garcia, doutor em educação e especialista em indisciplina, ligado à Universidade Tuiuti do Paraná, em chat com alunos, coloca que "A escola precisa ser escola, e assim um lugar de desenvolvimento humano, de humanização. A escola precisa ser uma referência de esperança. Há muito a fazer neste trabalho de humanização. É urgente, por exemplo, o trabalho de educação em valores humanos na escola. Se os valores não foram trabalhados "ontem" na família e na escola, hoje temos indisciplina, em casa e na escola. E quando temos indisciplina hoje, já sabemos que amanhã teremos de trabalhar valores. A indisciplina, em casa e na escola, é uma medida de crise moral".


Prof. Joe Garcia

A ideia de espaço de desenvolvimento humano é uma visão essencial para que a escola inicie uma nova história no contexto social em que se insere. Trabalhar os valores humanos faz parte, por exemplo, do projeto da Escola do Sentimento, disponível em www.educacaomoral.org.br, e que foi criado pelo educador Marcus De Mario, também fundador e diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM). Igualmente norteia o trabalho pioneiro e vitorioso idealizado pelo guru Sathya Sai Baba, que na Índia revolucionou os padrões de ensino e hoje conta com dezenas de escolas espalhadas pelo mundo.

A humanização da escola é o futuro da educação, mas esse amanhã não pode demorar para começar a acontecer.

Leia Mais
Nesta edição, leia a matéria "Escola da Ponte: esta escola faz a diferença". Clique aqui.

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