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Olhar Crítico Ano 9 - nº 82 - 15 de maio de 2010 Receita do ensino de qualidade da Redação
Um levantamento realizado pelo Ministério da Educação demonstrou que recursos financeiros em caixa não garantem um ensino de qualidade às crianças e aos adolescentes do País. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, dinheiro explica apenas 50% dos resultados de desempenho de uma escola, cidade ou Estado. O restante depende de boa gestão, projetos pedagógicos consistentes e envolvimento. O estudo elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) utilizou os últimos resultados consolidados e divulgados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para séries iniciais do ensino fundamental, de 2007, e o investimento feito por cada Estado (por aluno) naquele ano. A análise não se estendeu a municípios. O intuito era conferir a relação entre dinheiro e qualidade de ensino a partir de critérios estatísticos. A comparação revela situações interessantes entre os Estados. Há uma tendência de melhoria no desempenho a partir do aumento de investimentos. A relação, no entanto, não é tão direta. Pode-se perceber isso ao analisar o Distrito Federal, por exemplo, que é o Estado que mais gasta com educação – R$ 3,8 mil por aluno em 2007 – e tem boas notas, mas não a mais alta. O índice de desempenho mais alto é do Paraná. O Estado atingiu média 4,82, investindo R$ 2.637 por cada estudante. Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, as lições paranaenses merecem ser seguidas. “É o bom exemplo porque tem muito recurso e ele é bem utilizado. O Estado tem características de boa gestão, que promove inovação e garantia do direito de aprender”, diz. Na avaliação de Pilar, não há dúvidas de que o País precisa investir mais em educação. Opinião endossada pelo ministro Fernando Haddad em recente entrevista, que ainda defendeu melhorias na organização das redes de ensino. “O dinheiro tem de estar aliado a projetos pedagógicos consistentes”, frisa a secretária de Educação Básica. “Não por acaso 80% dos municípios prioritários do Ideb estão nos Estados mais pobres do País”, ressalta Pilar. Todos que ficaram abaixo da média brasileira no Ideb – que foi de 4,2 nas séries iniciais do ensino fundamental – recebem apoio extra do ministério. Na Bahia, o Estado que menos investiu em educação (R$ 1.614), estão 279 dos 1.827 municípios considerados prioritários pelo MEC. Apesar de ter o mais baixo investimento em educação, a Bahia não possui o pior Ideb - 3,22. O lugar com o índice mais baixo apontado pelo estudo do MEC é o Pará, que obteve nota 3,02 em 2007. As escolas paraenses gastaram naquele ano R$ 1.756 com cada aluno. Qualidade
de ensino depende de boa gestão Hoje, os professores e os diretores têm de elaborar projetos pedagógicos, estabelecer planilhas de gastos, administrar recursos da escola e manter o colégio em funcionamento com pouco dinheiro ou infra-estrutura. Nina Cláudia de Assunção Mello, coordenadora do curso de pós-graduação em Gestão Educacional da Universidade Católica de Brasília (UCB), ressalta que os professores não estão preparados para viver os desafios impostos a eles hoje. “O diretor de um colégio público tem muitas funções. Isso desanima o professor, porque parece algo impossível”, lamenta. A professora defende o investimento em capacitações na área de gestão aos líderes escolares, por se tratar de tema estratégico na construção de aprendizagem escolar. “Um bom diretor precisa saber trabalhar em equipe, de maneira descentralizada. Todos os professores e funcionários têm de estar envolvidos nas atividades da escola”, afirma. Continuidade Yvelise defende que as políticas sejam de estado e não de governo. A continuidade dos programas, segundo ela, é essencial para amadurecer projetos e fortalecê-los. “Tivemos a sorte de ter duas gestões seguidas na secretaria. Durante os primeiros anos, discutimos os princípios dos programas com os professores, ouvimos sugestões, aprimoramos os projetos. Criamos perspectivas de futuro, o que faz toda a diferença”, analisa. Atualmente, a rede estadual paranaense tem 1,4 milhão de alunos e conta com 60 mil professores. Apesar de comemorar os bons resultados, Yvelise aponta problemas. “Temos de enfrentar a evasão e a reprovação. Temos o maior número de estudantes que ingressa no ensino médio do País, 54%. Mas é pouco. Os recursos não são suficientes para cumprir todas as metas”, lamenta. A secretária paranaense acredita que algumas ações foram fundamentais para garantir a qualidade do ensino, além dos investimentos financeiros. Em todas as salas de aula das 2.136 escolas estaduais, há uma televisão adaptada para receber pen drives. Com isso, os professores podem planejar a utilização de vídeos, apresentar imagens ou filmes, sem precisar solicitar auditórios ou laboratórios de informática. A valorização dos professores também contribuiu para alavancar o comprometimento deles com os projetos pedagógicos. A média salarial no estado é de R$ 2,6 mil para 40 horas semanais. Para subir na carreira, o professor precisa se qualificar. O material didático utilizado pelos alunos é produzido pelos professores da rede. “Nós os valorizamos pela produção”, pondera Yvelise. Um
componente essencial da receita "Estamos de acordo que tudo isso faz parte da educação de qualidade, mas sentimos que falta algo da máxima importância, que chamaremos de comprometimento moral do educador com a educação, não com o ensino, mas com a educação, com a formação total da pessoa que está sentada na carteira escolar. Para alcançar esse comprometimento moral com a educação, propomos a adoção de outros pontos. Para nós, além do que já está descrito, educação de qualidade, acima de tudo, é: 1. Adoção de uma nova filosofia de educação para reger o sistema de ensino, uma filosofia com base espiritualista, única forma de redimensionar a formação do professor e a estrutura da sociedade. 2. Incentivo, de forma contínua, na própria escola, à autoeducação do professor, para que ele transforme-se num educador, aquele que vai além do trabalho no campo do saber, dando prioridade ao trabalho no campo moral. 3. Realizar o ensino com amor, com sentimento, esforçando-se o professor para ser exemplo daquilo que fala. 4. Substituir o vestibular, e todos os exames nacionais que dão equivalência ao mesmo, em acordos com as faculdades, por um sistema de avaliação consciencial do aluno, onde mais importante é o nível de capacidade em colocar em prática os aprendizados na própria vida. 5. Priorizar a educação básica, onde compreendemos a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, com currículos equilibrando a formação intelectual e a formação moral da criança e do jovem. Proclama-se muito a cidadania, a justiça social, a ética nas relações comuns. Compreendamos que não é a tecnologia, a remuneração, os equipamentos pedagógicos, o saber atualizado, que irão fazer a educação de qualidade, pois cidadania, justiça e ética somente são conquistadas com formação do caráter do homem, que assim não se deixará corromper por interesses que firam a regra de ouro da educação: aprender a fazer ao outro somente o que gostaria que o outro me fizesse. Dizemos com toda convicção que educação de qualidade alcançaremos quando educação deixar de ser igual a sistema de ensino, e for sinônimo de educação moral - na escola, na família, na sociedade". .................................... Continue a leitura da Edição 82 da Revista ReConstruir.
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