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Olhar Crítico Ano 9 - nº 80 - 15 de março de 2010 Para onde vai a educação? da Redação
A educação brasileira não vai muito bem, é a conclusão da pesquisa patrocinada pelo Ministério da Educação (MEC) sobre as metas previstas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lançado em 2001, que previa que até o final de 2010 seriam alcançadas 294 metas. Desse total apenas 33% , ou seja, 97 metas, foram alcançadas no período compreendido entre 2001 e 2008. A pesquisa foi realizada por pesquisadores das universidades federais com apoio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC, e revela, entre outras coisas, que: > Nosso sistema escolar està com alto índice de repetência. > É baixa a taxa de universitários. > Existe pouco acesso à educação infantil. É opinião dos pesquisadores e de outros especialistas, que os avanços foram insuficientes. E para agravar o resultado da pesquisa, muitas metas não puderam ser avaliadas por falta de indicadores, ou seja, não houve acompanhamento ao longo desses anos, nem o MEC se preocupou em criar mecanismos de acompanhamento e avaliação. Os
dados falam por si > Só 18% das crianças até 3 anos estava em creches. > 16% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam fora da escola. > Só 13,7% dos jovens estavam nas universidades. > A taxa de analfabetismo era de 10%, significando 14 milhões de pessoas que não sabem ler ou escrever. > O percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à educação continuava abaixo de 7%. > 11% dos estudantes do ensino fundamental abandonavam a sala de aula. É de se supor que em dois anos (2009-2010) os dados tenham sido pouco alterados, ainda mais considerando que o MEC deixou o Plano Nacional de Educação em segundo plano, preocupado em trabalhar o mirabolante Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que ninguém sabe porque o governo federal criou. Interessante notar que, por força de lei, o Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão do Ministério da Educação, está trabalhando para a realização do novo Plano Nacional de Educação, com metas para os próximos 10 anos. Afinal, pergunta-se, para onde deve ir a educação brasileira? qual plano deve ser seguido?
Novos
pensamentos "O direito à educação vai além de assegurar a cada um a capacidade de ler, escrever e contar. É garantir a toda criança o inteiro desenvolvimento de suas funções mentais e a aquisição de conhecimentos e valores morais correspondntes ao exercício de suas funções, até a adaptação à vida social atual". Passados 38 anos, o discurso de Jean Piaget é atualíssimo e responde aos anseios dos que trabalham por uma educação renovada, uma educação integral do ser integral. Contudo, o Ministério da Educação parece não ter acordado, insistindo em fazer avaliações de matemática e língua portuguesa, como se essas avaliações pudessem falar do ensino e da educação. Pior é o que o MEC está fazendo com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), transformando-o em vestibular antecipado, levando as escolas do ensino médio a se transformarem em mal disfarçados cursinhos pré-vestibulares e/ou preparatórios para concursos. Caminhos
possíveis "O primeiro caminho é a interação/integração que deve existir entre gestores, professores, apoiadores, pais e alunos. Enquanto a escola não estiver inserida no contexto comunitário, e a comunidade não sentir a escola como instituição que lhe pertence, teremos problemas para implantar uma educação de qualidade. A gestão escolar, assim como a coordenação pedagógica, deve permitir a entrada e interação dos pais e responsáveis, participando ativamente do dia a dia da escola. Para isso assmbléias periódicas devem ser feitas, inclusive com a presença dos alunos, onde todos debaterão a escola e a educação, comprometendo-se com as ações pedagógicas, comportamentos, atividades de ensino e tudo o mais. O segundo caminho é a capacitação continuada dos professores e demais profissionais escolares, mas não somente capacitação técnico-pedagógica, e sim a capacitação humana, ou seja, realização de cursos, oficinas, seminários, palestras que visem sensibilizar, despertar e conscientizar os educadores quanto a si mesmos, seus potenciais, sua espiritualidade e sua visão e postura com relação à educação, aos pais e aos educandos. Despertar o amor nos corações, para que o amor possa ser o regente da ação educacional. O terceiro caminho é abrir espaços generosos para re-educação dos pais e re-valorização da família, ao mesmo tempo em que os jovens são preparados para essas duas condições sociais: ser pai ou mãe e formar um lar. Utilizando as dependências físicas da escola, principalmente aos sábados. quando aqueles pais e responsáveis que trabalham, podem comparecer, desenvolver debates, palestras, oficinas, festas confraternativas, com o objetivo de reforçar a família como instituição educativa. Um quarto caminho, fundamental, diremos mesmo imprescindível, é implantar a educação moral. Ela siginifica formar o caráter, potencializar virtudes, sensibilizar sentimentos, direcionar a inteligência para construir o bem e desenvolver o homem integral, tanto de educadores quanto de educandos. Para isso precisamos ter visão holística, integral, do homem". Conclusão É possível, nos próximos 10 anos, alcançar as metas de um Plano Nacional de Educação, desde que ele obedeça os fatores acima, e desde que os especialistas se sensibilizem com as maravilhosas histórias de milhares de professores espalhados por este Brasil, que muito têm a mostrar sobre o que é verdadeiramente ensinar e educar. .................................... Continue a leitura da Edição 80 da Revista ReConstruir.
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