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Olhar Crítico Ano 9 - nº 79 - 15 de fevereiro de 2010 Professor? Nem pensar! da Redação
Dos estudantes brasileiros que estão às vésperas de entrar na universidade, apenas 2% declaram pretender seguuir o magistério. A pesquisa foi realizada pela Consultoria McKinsey em conjunto com a Fundação Carlos Chagas. E tem mais: entre os 2% dos estudantes brasileiros que gostariam de seguir a carreira de professor estão os de pior desempenho na escola, eles pertencem ao grupo dos 30% com as piores notas no boletim. A revista Veja, em sua edição 2151, traz reporrtagem sobre o assunto assinada por Marcelo Bortoloti, da qual reproduzimos para nossa análise o seguinte trecho: "Um bom termômetro para aferir o prestígio de uma profissão é o número de jovens que a assinalam como primeira opção na hora do vestibular. Por esse medidor, a carreira de professor, que décadas atrás foi um símbolo de status, nunca esteve tão em baixa. Uma nova pesquisa, conduzida pela Fundação Carlos Chagas a pedido da Fundação Victor Civita, chama atenção para o problema, trazendo à luz um dado preocupante: às vésperas de ingressarem na universidade, apenas 2% dos estudantes brasileiros pretendem seguir o magistério - opção que os outros 98% já descartaram. No levantamento, baseado numa amostra de 1500 alunos de ensino médio em escolas públicas e particulares de todo o país, o curso de pedagogia patina na 36ª colocação, entre as sessenta carreiras que hoje mais exercem fascínio sobre os jovens - lista encabeçada pelas áreas de direito, engenharia e medicina. Agrava o cenário saber que esses poucos que ainda optam pela docência se concentram justamente no grupo dos 30% de alunos com as piores notas na escola. Pouco disputado, o curso de pedagogia significa, para a imensa maioria dos estudantes, a única porta de entrada possível para o ensino superior - e não uma carreira de que realmente gostam. Conclui a especialista Bernardete Gatti, coordenadora da pesquisa: "Sem atrair as melhores cabeças para as faculdades de pedagogia, o Brasil jamais conseguirá deixar as últimas colocações nos rankings de ensino". A situação de desprestígio da carreira de professor é o retrato final de um processo deflagrado na década de 70, quando se iniciou no país uma acelerada massificação do ensino público. Sem profissionais em número suficiente para suprir a galopante demanda, as escolas passaram a recrutar até leigos para dar aulas. Foi aí também que as faculdades de pedagogia e as licenciaturas proliferaram à revelia da qualidade acadêmica, e os salários começaram a cair. A remuneração dos professores é, por sinal, o segundo fator elencado pelos jovens de hoje para nem sequer cogitarem o magistério, atrás de um item que se refere à completa falta de identificação com o ofício, segundo mostra a pesquisa da Fundação Carlos Chagas. Os estudantes contam ainda que são desencorajados pelos próprios pais de fazer essa opção. Boa parte dos entrevistados chega a afirmar que a família "jamais aceitaria tal escolha profissional". Países onde o ensino prima pela excelência, como Coreia do Sul e Finlândia, encontraram bons caminhos para atrair os alunos mais brilhantes às faculdades de pedagogia - experiência que pode ser útil também ao Brasil. Ela indica que elevar o salário dos professores é apenas uma das estratégias eficazes, mas não a de maior impacto. O que realmente suscita o fascínio dos melhores alunos pela docência diz respeito, acima de tudo, à possibilidade descortinada pela carreira de verem seu talento reconhecido e sua capacidade intelectual estimulada. Nesse sentido, distinguir os profissionais de melhor desempenho em sala de aula, com iniciativas como bônus no salário e mais responsabilidade na escola, tem sido, há décadas, um potente motor de atração para a carreira de professor mundo afora. O Brasil precisa aprender a lição". Situação
de desespero Um somatório de causas responde pela evasão do magistério: baixa remuneração, deficiência técnica das escolas, capacitação fraca nas faculdades, desprestígio vertiginoso da carreira, violência dos alunos contra professores. Assim, quase ninguém quer ser professor. E como fundamenta a pesquisa retratada na reportagem, a faculdade de pedagogia virou apenas porta de entrada para o ensino superior, depois é só o aluno pedir transferência para outro curso e fazer realmente o que quer. Isso acontece porque as exigência vestibulares para entrar em pedagogia são mínimas, ou seja, até o vestibular reconhece que quase ninguém quer se tornar um profissional do ensino. Nem
mesmo os pais Até o início dos anos 70 o magistério carregava um "glamour" todo especial, a carreira era vista como muito prestigiosa, isso porque realmente o professor era valorizado. Paulatinamente a educação foi passada para segundo ou terceiro plano nas cogitações governamentais, e a queda de nível das escolas foi patente, ficando o professorado à mercê das políticas públicas. Quem não lembra, no Estado do Rio de Janeiro, a abolição dos cargos de coordenação, orientação e supervisão, ficando a escola apenas nas mãos do diretor e do secretário? E que o professor salvasse a pátria, ou melhor, o ensino, como se isso fosse possível. Valorização
do magistério Por mais incrível que possa ser, ainda encontramos prefeituras pagando o professor com remuneração inferior ao salário mínimo, o que fere a legislação em vigor. E o que falar das escolas públicas sem banheiro, sem luz elétrica, sem carteiras suficientes para o número de alunos em sala de aula? Elas são encontradas ainda mesmo no interior dos estados que formam a região sudeste, considerada a região economicamente mais rica do país. Diante de tudo isso, perguntamos: haverá algum jovem suficientemente louco para querer ser professor? Bem, até temos, são os 2% que representamn os 30% piores estudantes do Brasil. É
possível melhorar Bons salároos, bônus por capacitação pedagógica e resultados no ensino, cursos de pedagogia mais exigentes e qualificados, escolas dotadas dos recursos de ensino necessários são medidas urgentes para mudança do que estamos assistindo, compreendendo que essa mudança, verdadeira transformação, ocorrerá apenas em médio prazo. Se a Finlândia e a Coréia do Sul conseguiram, podemos conseguir. Reconheçamos os talentos dos bons estudantes, convocando-os para o magistério, em todos os graus de ensino, dando em troca bons salários e motivação para ascender na carreira através de um bom plano de cargos e salários. Se começarmos as mudanças hoje, veremos significativos resultados em até vinte anos. Isso dará tempo para que expressiva parcel daa nova geração queira ser professor. Receberá incentivo dos pais e terá de batalhar muito para conseguir, pois as faculdades de pedagogia não mais espalharão vagas por aí, e sim terão processo rigoroso de seleção para vagas compatíveis com as necessidades do magistério, tornando o "ser professor" uma honra, uma distinção que faz bem à própria família. .................................... Continue a leitura da Edição 79 da Revista ReConstruir.
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