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Olhar Crítico Ano 9 - nº 76 - 15 de setembro de 2009 Professor: competências e responsabilidades da Redação
Por que educar? Eis uma pergunta que muitos pais e muitos professores não sabem responder a contento. Não sabem porque normalmente confundem a condição de ter um diploma de curso superior, ou uma escolaridade média, como sendo a própria educação. Não é, nunca foi e jamais será. A educação do ser integral que todos somos somente se realiza se trabalharmos a educação integral do ser. Respondamos agora a outra pergunta: por que devemos educar? Eis algumas respostas: Devemos educar para aperfeiçoar o homem. Aperfeiçoar no sentido intelectual e também no sentido moral, lembrando que a educação é sempre progressiva, não se faz total, plena, de um momento para outro. Devemos educar para moralizar. Devemos educar para que o ser encontre-se consigo mesmo e realize a missão a que se destina: estar com o outro e estar com Deus para fazer da vida uma vida repleta de amor e sabedoria. Devemos educar para que o homem seja a bondade em ação. Devemos educar para sensibilizar os sentimentos. Devemos educar para que o homem desenvolva suas potencialidades em harmonia, direcionando-as através de um ideal superior, assim construindo uma sociedade justa, imparcial e ética. Assim o homem saberá enfrentar a vida porque estará preparado para a vida. Saberá viver no coletivo porque substituirá o egoísmo pela solidariedade. Colocará em ação, através dos estímulos e exemplos positivos recebidos continuamente, a autoeducação do caráter e da inteligência. Educar para acionar o processo de autoeducação. A realidade integral do homem nos dá esta visão de profundidade sobre a educação. Devemos educar para que o educando receba e vivencie o amor, estando apto a reconhecer no outro seu irmão, na vida sua escola, na sociedade sua oportunidade de construir o bem. Devemos educar para que o amor direcione todas as potencialidades do homem, levando-o ao ato da perfeição de si mesmo. Então teremos um homem justo, honesto, cidadão, ético, afetivo, trabalhador, moralizado e espiritualizado. O
Educador 1. Afeto - Desenvolver o sentimento de simpatia e afeição dos educandos. 2. Ajuda - Satisfazer todas as necessidades de cada dia dos educandos. 3. Amor - Imprimir nos corações dos educandos esse sentimento através do incessante contato. 4. Bondade - Utilizar de calma e paciência na solução dos problemas. 5. Estímulo - Desenvolver nos educandos as habilidades e raciocínios que os capacitem a fazer uso eficiente e constante deles em todas as relações e circunstâncias. 6. Natureza - Estudar as questões do bem e do mal, fazendo com que os educandos se posicionem e se preparem com fatos reais como base para suas concepções de estética e arte, justiça e vida moral. 7. Convicção - Crer no que faz, acreditar no processo da educação moral e comunicar isso ao educando através do entusiasmo e da perseverança. Não serão essas competências mais importantes que os títulos acadêmicos e o domínio do conteúdo curricular? Isso também é importante, mas falamos aqui de grau de importância, do que é mais importante. Mas não é o que se vê. Na hora da contratação, diplomas, cursos de especialização e domínio de conteúdos predominam na avaliação e escolha do professor. Entretanto, será ele o melhor professor? Terá didática? Saberá resolver conflitos? Trabalhará o desenvolvimento do senso crítico? Será criativo? Saberá ouvir, dialogar com os educandos? Seu ensino será humanizado ou burocrático? Responsabilidade Então vemos professores que simplesmente não acreditam nos seus alunos. É mais fácil e cômodo rotular e deixar de lado. No dia-a-dia da escola, diante dos desafios da vida que invadem a sala de aula, principalmente com relação aos temas como sexualidade, luto, morte, separação, drogas, violência doméstica é possível detectar cinco posturas comuns ao professor: Tentar ignorar os problemas. Diante de questões como drogas, sexualidade, violência e outras, a tendência do professor é ignorar o assunto em sala de aula, ou aplicar um bom sermão para calar qualquer tentativa de abordagem do mesmo, como se isso resolvesse os dramas e indagações dos alunos. Dizer que não foi preparado para lidar com isso. Embora reconheça a importância das questões apresentadas pelos alunos, declara não ter conhecimento nem preparo pedagógico específico para tratar do tema, e muitas vezes empurra a questão para a coordenação ou a direção da escola. Fingir que está diante do quadro apenas para passar os conteúdos. Postura comum de grande parte dos professores, entrando e saindo da sala de aula com um planejamento fechado, como se dar aula fosse sinônimo de escrever e apagar, ditar lições e corrigir exercícios, muitas vezes fazendo com que os alunos "gastem" o tempo da aula apenas copiando matéria. Alegar que não ganha para encarar essas questões. Comum mas irresponsável essa atitude. Nenhum profissional pode se eximir de dar tudo de si no trabalho que exerce, e o professor não é diferente, mesmo porque a formação intelectual e moral do futuro cidadão está em suas mãos. Como todo mundo sabe que o salário de professor é baixo, e nem por isso deixa de procurar a profissão, o argumento, por isso mesmo, também não é válido. Repetir, ano a ano, as mesmas provas, testes, trabalhos, textos, exercícios. Por comodidade e facilidade o tempo passa e o trabalho se repete, de tal forma que alunos de séries mais adiantadas explicam para aqueles das séries iniciais tudo o que o professor vai fazer e dar em sala de aula. Essa atitude do professor é porta aberta para a desatualização pedagógica e seu desligamento da realidade da vida. Ignorar os temas da vida ou passar ao largo dos mesmos, implica em criar vazios no processo de educação, que fatalmente farão falta para o pleno desenvolvimento intelectual e moral do educando. É urgente o trabalho de estímulo ao pensar, ou seja, fazer com que o educando pense sobre si mesmo, a vida e a construção da sociedade, para que possa identificar-se plenamente consigo mesmo, com o próximo e com a natureza. É necessário, portanto, um trabalho pedagógico amplo, total e feito com amor e não mero profissionalismo, e nem mesmo com discursos retirados de estudos e leituras de livros, mas sim pela prática transformadora de criar uma escola participativa e um ensino desafiador. .................................... Continue a leitura da Edição 76 da Revista ReConstruir.
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