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Olhar Crítico Ano 8 - nº 69 - 15 de janeiro de 2009 Educação infantil: onde tudo começa da Redação
Um novo olhar sobre a educação infantil começou a ser implantado no Brasil com a edição da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996). Antes desse documento oficial que rege a educação brasileira, a creche e o jardim de infância eram considerados como de competência da área social. Tomava-se conta de crianças, sem uma maior preocupação pedagógica. Era suficiente brincar, dormir, fazer refeições, tomar banho até que as mães ou responsáveis viessem buscar as crianças. Hoje não é mais assim, ou não deveria ser, pois creches e escolas de educação infantil pertencem agora ao sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) possui o documento "Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil" (2006), onde lemos: "Por sua vez, as crianças encontram-se em uma fase de vida em que dependem intensamente do adulto para sua sobrevivência. Precisam, portanto, ser cuidadas e educadas, o que implica: •
ser auxiliadas nas atividades que não puderem realizar sozinhas; "Além disso, para que sua sobrevivência esteja garantida e seu crescimento e desenvolvimento sejam favorecidos, para que o cuidar/educar sejam efetivados, é necessário que sejam oferecidas às crianças dessa faixa etária (o a 6 anos) condições de usufruírem plenamente suas possibilidades de apropriação e de produção de significados no mundo da natureza e da cultura. As crianças precisam ser apoiadas em suas iniciativas espontâneas e incentivadas a: •
brincar; "A criança, parte de uma sociedade, vivendo em nosso país, tem direito: •
à dignidade e ao respeito; Ainda no mesmo documento temos uma nova visão sobre a criança, e que deve nortar o trabalho na educação infantil: "A criança é um sujeito social e histórico que está inserido em uma sociedade na qual partilha de uma determinada cultura. É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também contribui com ele. A criança, assim, não é uma abstração, mas um ser produtor e produto da história e da cultura. "Olhar a criança como ser que já nasce pronto, ou que nasce vazio e carente dos elementos entendidos como necessários à vida adulta ou, ainda, a criança como sujeito conhecedor, cujo desenvolvimento se dá por sua própria iniciativa e capacidade de ação, foram, durante muito tempo, concepções amplamente aceitas na Educação Infantil até o surgimento das bases epistemológicas que fundamentam, atualmente, uma pedagogia para a infância. Os novos paradigmas englobam e transcendem a história, a antropologia, a sociologia e a própria psicologia resultando em uma perspectiva que define a criança como ser competente para interagir e produzir cultura no meio em que se encontra. Essa perspectiva é hoje um consenso entre estudiosos da Educação Infantil". Pesquisas
e realidades As matrículas na educação infantil estão em crescimento, com esforços conjuntos entre as diversas esferas governamentais para ampliação da oferta de creches e de escolas para as crianças até 6 anos, mas pesquisas apontam uma defasagem entre esse esforço e as faculdades de pedagogia, responsáveis pela formação dos profissionais especializados. Os cursos de pedagogia não priorizam a formação para o trabalho em sala de aula, e mantém as pesquisas psicológicas e as experiências educacionais como estudos teóricos históricos, sem a necessária interação com o fazer pedagógico. Assim, noções equivocadas sobre a criança, que quase não aparece no currículo, são mantidas, e todos os anos temos centenas de pedagogos despreparados para trabalhar em sala de aula, entrando nas escolas.
Importância
da educação infantil Dados do IBGE mostram que apenas 40% das 21,7 milhões de crianças brasileiras entre 0 e 6 anos estavam matriculadas em creches ou escolas em 2004 e cerca de 13% daquelas de 0 a 3 anos freqüentavam creches. Ou seja, a universalização da educação não vale para todos os segmentos. Trabalhar a democratização do ensino nos primeiros 6 anos de vida é essencial para melhorar o índice de aprendizado dos alunos, estimular desde cedo a busca pelo conhecimento e eliminar as diferenças de origem socio-econômica no desempenho de crianças de 1ª série. Não é por acaso que, na França, os professores precisam ter mestrado para trabalhar com os pequenos e são tão bem remunerados quanto os que lecionam no nível superior. Uma amostra de como o ingresso na escola desde cedo faz diferença é o índice de repetentes na 1ª série do Ensino Fundamental, monitorado pela Unesco e pelo OCDE em 48 países. O Brasil tem a taxa mais alta com 32%, ante 1% da Rússia e China. Essa realidade condena um terço da população brasileira ao atraso e mexe desde cedo com a auto-estima das crianças. É na creche ou pré-escola que os pequenos começarão a se conhecer e a conhecer o outro, a se respeitar e a respeitar o outro, e a desenvolver suas habilidades e construir conhecimento. .................................... Continue a leitura da Edição 69 da Revista ReConstruir.
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