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Olhar Crítico

Ano 8 - nº 68 - 15 de novembro de 2008

Uma idéia diferente de escola

da Redação

Você já ouviu falar na Escola do Sentimento? É uma proposta idealizada pelo Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM). Nosso convite é que você conheça os princípios gerais do projeto e acredite que é possível fazer uma escola diferente, a escola que estamos precisando.

A arte de formar o caráter
Nenhuma criança é igual a outra. O educando viaja pela vida, sofre mil influências, troca experiências, adquire conhecimentos e desenvolve o senso moral de forma particular, individual. Um fato ou um ensino pode impressionar vivamente uma criança e nada despertar em outra. Os interesses variam ao infinito e a construção do ser não obedece o mesmo tempo nem o mesmo ritmo, motivo pelo qual podemos vislumbrar a construção do seguinte princípio:
a educação deve ser promovida de forma individualizada.

Mas isso não significa que deva ser promovida fora do ambiente coletivo, ninguém é tão completo ou auto-suficiente que não dependa de outro para viver. Podemos, portanto, ampliar o princípio, dizendo: a educação deve ser promovida de forma individualizada dentro de um contexto coletivo.

E não pode ser promovida apenas através do ensino teórico, mas através de atividades que visem a participação do educando, para que este adquira experiência própria, desenvolvendo suas potencialidades. Eis mais um princípio: todo educando possui poderes naturais - potencialidades a serem desenvolvidas.

Detrás da rudeza, do acanhamento, da aparente incapacidade do educando, escondem-se belas faculdades, preciosas virtudes e notáveis habilidades.

Para despertamento dessas potencialidades é necessário:
1. Utilizar as necessidades comuns da vida para ensinar aos educandos as relações das coisas;
2. despertar a inteligência do educando instigando o uso do seu raciocínio;
3. liberar as potencialidades do educando através da utilização das simples circunstâncias da vida doméstica, escolar e social; e
4. aplicar, por parte do educador, o afeto, sensibilizando o educando.

A escola deve, na medida do possível, levar avante a educação moral sem auxílio de meios artificiais, utilizando para o desenvolvimento do educando:
1. A influência do ambiente natural; e
2. as atividades da vida diária.

Toda atividade bem orientada desenvolve a inteligência e faz desabrochar o senso moral, e nada melhor que a própria vida como conteúdo do fazer escolar e do construir o homem.

Conduta do educador
Para a realização plena desse trabalho, a escola precisa ter como parâmetro um projeto pedagógico bem desenvolvido, onde estejam abolidos os sermões, as pressões, os regulamentos impostos pela direção, os exercícios prontos e estejam implantados:
1. A conquista e melhora dos sentimentos dos educandos;
2. o despertamento nos educandos das nobres e puras qualidades morais; e
3. o desenvolvimento dessas qualidades nas ações externas, através da atividade e da obediência consciente.

Assim, podemos estabelecer os princípios gerais reguladores da conduta do educador para o trabalho da educação moral:

1. Afeto - Desenvolver o sentimento de simpatia e afeição dos educandos.
2. Ajuda - Satisfazer-lhes todas as necessidades de cada dia.
3. Amor - Imprimir em seus corações esse sentimento através do incessante contato.
4. Bondade - Utilizar de calma e paciência na solução dos problemas.
5. Estímulo - Desenvolver nos educandos as habilidades e raciocínios que os capacitem a fazer uso eficiente e constante deles em todas as relações e circunstâncias.
6. Natureza - Estudar as questões do bem e do mal, fazendo com que os educandos se posicionem e se preparem com fatos reais como base para suas concepções de estética e arte, justiça e vida moral.
7. Convicção - Crer no que faz, acreditar no processo da educação moral e comunicar isso ao educando através do entusiasmo e da perseverança.

Integração da escola, família e sociedade
Como fazer a aproximação e integração entre a escola e a família? Deverá partir da escola a iniciativa dessa aproximação, pois os educadores, unidos pelo modelo educacional, estarão conscientes da importância de conhecer a família de seus educandos; de fazerem da escola um ambiente familiar e de integrar os pais no processo educacional proporcionado pela escola. Sugerimos os seguintes passos:
1. Visita dos educadores aos lares de seus educandos;
2. nessas visitas, apresentar-se e apresentar a escola, mostrando interesse em conhecer os pais;
3. entregar folhetos explicativos sobre o trabalho educacional desenvolvido pela escola; e
4. convidar os pais para visitarem a escola. Estamos desenvolvendo a aproximação.

Quando os pais visitarem a escola, proporcionar-lhes uma recepção calorosa, amiga, levando-os a conhecer as dependências físicas e as atividades em desenvolvimento, convidando-os à participação como colaboradores voluntários. De início, evitar a realização de reuniões formais, mas promover festividades, exposições, onde os pais podem se sentir à vontade e colaborar de forma espontânea, tendo a oportunidade de assistir seus filhos apresentando seu fazer escolar (e auxiliando-os nesse fazer). Ultrapassamos a fase da aproximação e estamos em plena etapa da sensibilização. Adentramos agora ao plano da ação, que possui duas vertentes:
1. Ação pedagógica: participação dos pais nas atividades de estudo e pesquisa extra-classe, como se fossem segundos mestres, ao mesmo tempo que participam das reuniões de avaliação e planejamento pedagógico.
2. Ação permanente: organização de festividades, exposições, etc., junto com professores e alunos, e doação voluntária de horas semanais em oficinas, na cozinha, no jardim, na horta e outros serviços permanentes da escola.
3. Aproximação, sensibilização e ação dos pais, da família na escola, fazem parte de um processo contínuo, permanente, desenvolvido com amor, e que determina a integração escola/família.

Instrução e educação: metodologia
Para realizarmos com eficiência a educação moral devemos seguir um método, pois todo trabalho sem método tende a não alcançar seu fim, ou, se o consegue, o faz por caminhos mais difíceis que o necessário. Estamos, pois, falando da metodologia da educação moral a ser empregada pelo professor na sala de aula e por todos os educadores na Escola do Sentimento.

Iniciemos com um princípio geral, anunciado por Pestalozzi: "Nobres e elevados pensamentos são indispensáveis para desenvolver sabedoria e firmeza de caráter." O professor deve, através da auto-educação, estimular-se a enobrecer e elevar seus pensamentos, única maneira de, com firmeza, desenvolver seu saber e seu caráter, tornando-se assim, pela força do hábito, um exemplo a ser seguido, exemplo esse que contagia os educandos, tornando seu trabalho muito mais útil e profundo, pois os educandos compreenderão, por se tratar de uma verdade espelhada pela conduta do professor, que os exercícios, as vivências, as práticas, enfim, que o ensino não é falso, mas verdadeiro.

O ensino propiciado pela educação moral deve:
1. Levar em consideração todas as aptidões em todas as circunstâncias; e
2. ser feito com simplicidade e amor, prudência e autoridade.

Na Escola do Sentimento estes devem ser os princípios do ensino:
1. A instrução subordinada à formação do caráter;
2. ensino suscitando e fortalecendo nobres sentimentos; e
3. a educação promovida mediante relacionamento constante com o educando.

....................................

Continue a leitura da Edição 68 da Revista ReConstruir.

 

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