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Observatório

Ano 9 - nº 80 - 15 de março de 2010

Novo Plano Nacional de Educação terá desafios antigos
Este ano, o Congresso Nacional terá de elaborar e aprovar um novo Plano Nacional de Educação (PNE). Mais do que um mero documento, o PNE é responsável por determinar os rumos que a educação do país deverá tomar nos próximos anos. O plano define os objetivos e as metas para todos os níveis de ensino brasileiros, da creche ao ensino superior, para o período de 2011 a 2020. O primeiro plano para a educação brasileira, sancionado na forma da Lei 10.172/2001, tinha como objetivos principais o aumento da escolaridade da população, redução das desigualdades sociais e regionais, democratização da gestão do ensino público e a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. Com os vetos presidenciais à lei, que restringiram o papel da União no financiamento da educação, o alcance de muitas metas previstas para a década que termina este ano foi comprometido. Com isso, muitos desafios antigos continuarão no projeto de educação para a próxima década. Se por um lado o País conseguiu alcançar grande parte das metas de universalização do ensino fundamental, ainda resta um enorme caminho a ser percorrido para garantir que o acesso se transforme em aprendizagem com qualidade. Acabar com o analfabetismo também permanece como um objetivo a ser atingido. Criar um sistema que articule planos de educação federal, estadual e municipal; implantar a escola de tempo integral na educação básica; valorizar os profissionais que atuam na educação são também propostas que o Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentará na Conferência Nacional de Educação, evento preparatório para a formulação do próximo PNE, como contribuição aos deputados e senadores.

TV Escola completa 14 anos auxiliando professores
Recursos como documentários, vídeos, animações podem deixar a sala de aula mais atraente e auxiliar o professor a ensinar seus alunos. A TV Escola, canal educativo do Ministério da Educação, assumiu, há 14 anos, esse papel em escolas estaduais e municipais de todo o país. Foi criada em 1996 com o intuito de capacitar, aperfeiçoar e atualizar os educadores da rede pública de ensino brasileiro. Seu principal objetivo é trabalhar junto aos professores, contribuindo para a melhoria da educação construída nas escolas de todo o país. A programação exibe séries e documentários estrangeiros e produções da própria TV Escola, e é dividida em faixas: educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, salto para o futuro e escola aberta, dirigido a toda a sociedade. Há um ano, a TV Escola começou a ser transmitida pela internet e ampliou seu acesso, especialmente nos laboratórios de informática das escolas. No Rio Grande do Norte, seus programas são utilizados por educadores de todas as áreas. De acordo com Maria Dalvaci Bento, coordenadora local da TV Escola no estado, atualmente 760 escolas utilizam esse meio de comunicação para aprimorar o aprendizado. “Quando a TV Escola foi criada, em 1996, eu era professora no interior do estado, em Doutor Severiano, a 490 quilômetros da capital. Contei com ela em minhas aulas e a vi evoluir desde então. Os professores vêm explorando cada vez mais esse recurso para facilitar o ensino”, observa. Ela conta que o uso dos vídeos da TV Escola transcendeu a sala de aula, de modo que hoje também servem de base para atividades escolares como feiras de ciências e semana do meio ambiente. A transmissão via internet, segundo ela, foi um grande avanço, uma vez que as tecnologias já fazem parte da vida escolar. A TV Escola pode ser sintonizada via antena parabólica (digital ou analógica) em todo o país e por meio da internet no Portal do MEC. O sinal está disponível também nas tevês por assinatura via Embratel (canal 123), Sky (canal 112) e Telefônica (canal 694).

Mais estudo não garante melhor salário
Mesmo com indicadores de escolaridade superiores aos apresentados pelo sexo masculino, as mulheres ganham salários 27,7% inferiores aos dos homens, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo divulgado para marcar as comemorações do Dia Internacional da Mulher, registrou que a diferença entre os rendimentos é ainda maior entre trabalhadores de maior escolaridade. Os dados, baseados na Pesquisa Mensal do Emprego (PME) de 2009, mostram que a média salarial das mulheres representa 72,3% da média dos homens. No caso de trabalhadores com nível superior, no entanto, há uma discrepância maior. No comércio, mulheres que concluíram cursos universitários ganham, em média, R$ 2.066 por mês - o equivalente a 55,6% dos R$ 3.720 recebidos pelos homens com a mesma escolaridade. O cenário é o mesmo para as profissionais de outros segmentos, como construção (59,8% da média salarial dos homens), indústria (60,9%) e administração pública (62,6%). Segundo o pesquisador Cimar Azeredo, do IBGE, os números são um reflexo da atuação de homens e mulheres em diferentes funções no mercado de trabalho. "No setor de saúde, por exemplo, há muitas mulheres trabalhando como enfermeiras e muitos homens trabalhando como médicos - profissão que dá um retorno financeiro maior. Da mesma maneira, há muitas mulheres trabalhando como professoras do ensino básico e muitos homens, como professores universitários", explica. "Ainda há carreiras em que a mulher não está muito presente."

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