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Observatório

Ano 9 - nº 78 - 15 de novembro de 2009

Rio quer incluir meditação nas escolas públicas
A Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro pretende incluir a meditação no currículo de pelo menos sete mil alunos da rede pública do Rio em 2010. O projeto - que está sendo testado em duas escolas -, foi lançado com a presença de artistas que deram aos estudantes seus depoimentos sobre os benefícios da prática. O projeto para a inserção da meditação transcendental nas escolas é uma parceria com a fundação do cineasta David Lynch, que realiza o mesmo trabalho em mais de cem escolas nos Estados Unidos e na Europa e em mais de 150 estabelecimentos na América Latina. O principal objetivo, segundo a Secretaria de Educação, é aumentar a concentração dos alunos e melhorar o nível de aprendizagem. Hoje, a prática está sendo testada com 170 alunos do Colégio Estadual José Leite Lopes, na Tijuca, Zona Norte do Rio, e com outros 350 estudantes do Ciep Hélio Pellegrino, em Campo Grande, na Zona Oeste.

Ensino de nove anos sacrifica lazer, dizem estudos
Das escolas que já adotaram o ensino fundamental de nove anos, parte fez a adaptação impondo pesados sacrifícios às crianças mais novas. Pesquisas em diferentes Estados mostram que nessas escolas os alunos de seis anos perderam parte considerável do tempo destinado a brincadeiras e atividades ao ar livre. Agora ficam debruçadas sobre livros, exercícios e até provas. Especialistas alertam que isso pode ter efeito devastador no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Assim, quem ia para a pré-escola irá para o primeiro ano. A primeira série se transformará no segundo ano. Muitas escolas se adiantaram e já seguem a lei. O problema é que algumas limitaram-se a impor às crianças de seis anos os mesmíssimos conteúdos que antes ensinavam às crianças de sete. Os esforços se concentram em ensiná-las a ler, escrever e fazer contas. As brincadeiras, comuns na velha pré-escola, ficaram em segundo plano.

Baixa qualidade de ensino: Brasil desperdiça bilhões
Esqueça o discurso de que o grande problema da educação no Brasil é a falta de recursos. Tão grave quanto o baixo investimento do País no ensino é o desperdício de dinheiro. Perder um ano é um prejuízo incalculável para o estudante, mas a repetência e o abandono escolar têm o seu preço: R$ 15,1 bilhões a cada 12 meses. A baixa qualidade do ensino faz com que os meninos e meninas não aprendam o conteúdo e precisem repetir o ano letivo. Ou pior: desistam dos estudos e deixem, definitivamente, a rotina escolar. Cada escola custa R$ 1,2 milhão. Ou seja, com o dinheiro perdido daria para entregar 12.662 escolas mobiliadas para a sociedade. Para se ter uma ideia, só a repetência e o abandono da sala de aula nos dois ciclos do ensino fundamental custam, juntos, R$ 12 bilhões. A isso, soma-se o prejuízo da evasão e da reprovação nos três anos do ensino médio que pesam outros R$ 3,2 bilhões.

Pesquisa: Criança que faz o pré vai melhor na escola
Pesquisas nacionais e internacionais apontam que crianças que cursam o ensino infantil têm desempenho melhor nos anos posteriores na escola. Além disso, têm mais chances de completar os ensinos fundamental e médio em relação àquelas que entram direto na primeira série. Pesquisa do professor Naercio Menezes Filho (USP e Insper) mostra que os alunos que fizeram pré-escola têm um desempenho melhor em todas as séries do que os que entraram na primeira série. Já um trabalho das pesquisadoras Fabiana de Felício e Ligia Vasconcellos (Itaú Social) aponta que as notas dos alunos de quarta série poderiam aumentar 11% se todas elas tivessem feito o ensino infantil. Esses efeitos ocorrem porque as crianças começam a ter contato com elementos que irão utilizar durante a vida escolar, como letras e números - ainda que não haja um processo de alfabetização. Há também atividades de coordenação motora, por meio de brincadeiras.

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Continue a leitura da Edição 78 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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