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Observatório
Ano
9 - nº 75 - 15 de agosto de 2009
Escola
do Espírito Santo é exemplo no estímulo à leitura de livros
Com 2,78 mil livros lidos pelos alunos das séries iniciais do ensino fundamental
em 2008, a Escola Estadual Boa Vista, de Cariacica, Espírito Santo, é
um exemplo de como conquistar resultados ao aliar apoio externo à gestão
interna. Abastecido com obras do Programa Nacional Biblioteca da Escola
(PNBE), o acervo da instituição de ensino capixaba deu suporte ao projeto
A Viagem na Leitura, um dos vencedores do Prêmio Sedu Boas Práticas na
Educação, promovido no ano passado pela Secretaria de Educação do estado.
O projeto pretende formar leitores com visão crítica do mundo. Para isso,
estimula os estudantes a realizar diversas atividades sobre o universo
da escrita, pesquisas sobre autores, dramatizações, edição de jornais
e composição de músicas e poemas. “Em todas as ações, os alunos têm poder
de decisão. Assim, eles se sentem responsáveis pelo que constroem”, afirma
a diretora da escola, Maria Delza Carreiro Rocha. O campeão em 2008 foi
o estudante Diego Carlos dos Santos Aigner, da quarta série. Ele leu 80
livros durante o ano letivo. Parte dos R$ 25 mil ganhos na premiação foi
usada na compra de livros, todos escolhidos pelos alunos. “Levantamos
os autores prediletos e compramos de acordo com a curiosidade dos estudantes”,
diz a diretora. O restante do dinheiro tem sido investido na aquisição
de equipamentos e mobiliário para a biblioteca, que também atende a comunidade.
Segundo Maria Delza, o empenho dos alunos surpreendeu a equipe pedagógica
e motivou mudanças no projeto. Até o ano passado, a criança devia contar
aos colegas a história de cada obra, como forma de desenvolver a oralidade.
Agora, deve apresentar textos baseados no que aprendeu com o livro enriquecidos
com experiências pessoais. “Assim, cada aluno terá seu próprio livro”,
afirma Maria Delza, que pretende editar as obras dos estudantes. Outras
atividades do projeto são o coral Cantando e Aprendendo, que agrega música
às produções textuais dos estudantes, e a condução, pelos alunos, de um
telejornal com notícias literárias e declamação de poemas.
De
mal a pior
Estudantes brasileiros passam a maior parte das aulas copiando instruções
escritas na lousa pelo professor, não participam ativamente das atividades,
ficam entediados em vários momentos e se distraem rabiscando no caderno
ou conversando com colegas. Com isso, têm dificuldades em entender conceitos,
resolver problemas e não chegam a aprender o conteúdo dos livros didáticos.
O cenário é retratado em pesquisa feita pelo americano Martin Carnoy,
professor de economia da educação da Universidade Stanford (EUA) e consultor
em políticas de recursos humanos do Banco Mundial e Unesco. O pesquisador
filmou aulas de matemática da 3ª série das escolas brasileiras, chilenas
e cubanas – traçando uma comparação entre métodos e desempenho dos alunos
de cada um desses países. “O professor no Brasil passa mais tempo escrevendo
na lousa de costas para o aluno. Já os chilenos e principalmente os cubanos
interagem com os alunos, resolvendo com eles os problemas a partir dos
seus próprios erros, seguindo um currículo definido”, explica Carnoy,
que apresentou os resultados em seminário pela Fundação Lemann em São
Paulo.
Pobreza
ainda é obstáculo para melhoria da educação
No mundo todo há cerca de 100 milhões de crianças e quase 800 milhões
de jovens e adultos fora do sistema educacional. A informação é do relator
especial da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo direito à educação,
o costa-riquenho Vernor Muñoz Villalobos. Para ele, a adoção de medidas
contra essa exclusão é o maior desafio a ser enfrentado pelas mais diversas
sociedades. “[O combate à] discriminação de grupos que têm sido, historicamente,
excluídos da educação, continua sendo um desafio importante”, Ele avalia
que a situação de desigualdade econômica é mais crítica na América Latina,
o que provoca carências nas oportunidades de ensino. No caso do Brasil,
ele considera que o maior entrave a ser vencido é o de traçar metas de
educação de forma dirigida às populações negra e indígena, reconhecendo
que a questão é complexa por causa da diversidade cultural desses povos.
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que
embora o Brasil tenha avançado nessa área nos últimos 15 anos, o País
ainda registra 2,4% do universo de crianças em idade escolar – de 7 a
14 anos – fora da escola. Isso significa uma exclusão de 680 mil brasileiros.
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a leitura da Edição
75 da Revista ReConstruir.
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