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Nossa Palavra

Ano 9 - nº 84 - 15 de julho de 2010

Espiritualidade na educação


por Marcus De Mario*

É cada vez mais pertinente a necessidade de discutirmos quem somos, de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos. Essa discussão, que aparentemente pertence ao exclusivo domínio da religião, ou, quando muito, da filosofia, na verdade permeia todas as culturas, antigas e modernas, atingindo com muita força a educação, pois esta existe e se estrutura de acordo com a filosofia que rege a sociedade e seu poder constituído, seja pela via democrática ou não.

Vejamos, como exemplo, alguns períodos históricos do Brasil. Durante o Segundo Reinado, a elite dominante priorizava o ensino superior, no entendimento que ter médicos, advogados e engenheiros era muito importante para os negócios do país e, claro, isso era mantido como privilégio dos mais abastados, na manutenção da nobreza em relação a plebe.

No primeiro governo Vargas, que se transforma em ditadura, a educação é proletarizada dentro de um ufanismo cívico de fachada, regida pelos interesses de dominação, levando o ensino a criar estereótipos sociais que camuflavam a verdade, como os porões da polícia e as prisões arbitrárias.

Quando da ditadura militar iniciada nos anos sessenta, a filosofia militarista introduziu a força a educação moral e cívica (mais cívica que moral) e a organização social e política brasileira como matérias curriculares do ensino fundamental, servindo de brechas espionárias da conduta alheia, ao mesmo tempo em que serviam de instrumentos para a alienação das consciências com relação a verdade da censura, das perseguições e mortes camufladas.

Como vemos, a filosofia sobre o homem e a vida estreitam ou ampliam os horizontes da educação e da sua manifestação através do sistema de ensino. Todos os exemplos acima têm por base o homem material, que nasce, vvive e morre. Hoje, ainda estamos com essa base, mas as pesquisas sobre o emocional, a ética, a consciência moral e a espiritualidade do homem exigem a transformação desse paradigma.

A educação não pode ignorar as manifestações de espiritualidade humana, teimando em estruturar o ensino em moldes apenas cognitivos. e porque nos preocupamos com os rumos da educação e a discussão sobre nós mesmos e a vida, trazemos nesta edição várias abordagens para provocar reflexão sobre quem somos e o que precisamos querer da educação.

Um grande abraço e boa leitura.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 84 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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