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Nossa Palavra Ano 9 - nº 80 - 15 de março de 2010 E as metas não foram alcançadas
Alguém lembra do Plano Nacional de Educação (PNE)? O Ministério da Educação (MEC) lembrou e encomendou uma pesquisa para saber quais metas foram alcançadas em quase dez anos de existência do plano. O resultado não foi nada animador: apenas 33% das metas foram alcançadas, ou seja, o PNE formulou políticas para alcançar metas no final de um decênio, e elas não foram, em sua maioria, alcançadas. O PNE surgiu na esteira da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), mas foi solenemente esquecido pelo Ministério da Educação e, portanto, pelo governo federal. Apesar da existência do plano, nos últimos anos o governo federal assinou acordos como o Educação para Todos e criou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), este último por conta do lançamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que desconsiderou a educação. Como a sociedade reclamou, foi criado o PDE, qundo isso não era necessário, bastava ativar o PNE, que completará fracassados dez anos e, definitivamente, será engavetado. As causas do fracasso são óbvias: falta de interesse político, com a consequente falta de continuidade nas políticas públicas. O atual mega-plano de desenvolvimento da educação já está às voltas com metas não atingidas, e isso não é novidade, nem mesmo uma particularidade do atual governo. É, infelizmente, cultural, faz parte da marca governamental não alcançar metas educacionais, não priorizar a educação. Esse paradigma precisa ser quebrado, ou transformado. Um bom início dessa transformação é a mudança de foco. Atualmente a prioridade é o ensino superior. O Ministério da Educação gasta com um estudante universitário brasileiro seis vezes mais do que com um estudante do ensino fundamental, o que mostra que a educação básica não é considerada tão importante. Ora, a base é fundamental para qualquer coisa que se faça na vida, ainda mais em se tratando da formação do ser. A miopia governamental é estarrecedora. Estarmos no terceiro milênio da civilização humana e isso parece não ter significado para os administradores públicos e os burocráticos pedagogos de plantão. Repetem viciosamente discursos ultrapassados, confundem a educação com a informação e se rendem ao poder econômico dos sistemas particulares de ensino, com seus interesses mesquinhos e imediatistas com base no lucro a qualquer preço, inclusive com a mal disfarçada aplicação da "educação bancária", denunciada pelo saudoso e instigante Paulo Freire. Considerando a necessidade de humanização das novas gerações, que se destacam em intelectualidade, mas são reprovadas em ética e moral, concluímos que não é mais possível assistirmos a criação de planos e mais planos destinados ao fracasso. Transformemos o paradigma! *Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor. .................................... Continue a leitura da Edição 80 da Revista ReConstruir.
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