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Nossa Palavra

Ano 9 - nº 79 - 15 de fevereiro de 2009

Vestibular disfarçado


por Marcus De Mario*

O Ministério da Educação discursa sobre o próximo fim do vestibular, única porta de acesso ao ensino superior. Especialistas em educação fazem coro aos técnicos do ministério, todos demonstrando os malefícios desse verdadeiro monstro devorador de jovens em que se transformou o vestibular.

Iniciando o processo de sua extinção, o MEC vem permitindo nos últimos anos um afrouxamento nas regras, deixando que as universidades e centros universitários façam testes menos rigorosos com os candidatos às vagas das diversas faculdades. Chegamos a assistir uma universidade fazer provinhas rápidas todos os sábados como requisito para acesso. Simples, pouco seletivo e caça-níquel, pois o que interessa é preencher as vagas e faturar.

Continuando o processo para extinguir o vestibular, o Ministério da Educação resolveu fazer do Enem - Exame Nacional do Ensino Médio, porta de acesso para o ensino superior. Transformou um exame avaliativo do ensino médio e vestibular disfarçado, conveniando univesidades públicas e particulares para utilizarem as notas dos alunos como peso ou mesmo como validação para a vaga do curso pretendido.

Na prática o Enem é vestibular antecipado e sob total responsabilidade do governo federal. Uma festa para as universidades particulares, que assim deixam de ter o custo, normalmente alto, de preparação e aplicação das provas. É o caminho que o Enem, mal disfarçadamente, está tomando. À universidade compete apenas realizar provas ou testes específicos, de acordo com a carreira solicitada pelo aluno, que no último ano do ensino médio já tem sua vaga assegurada no ensino superior.

E a avaliação do ensino médio? E a melhora da qualidade do enisno médio? O que temos assistido são as escolas transformarem o último ano do ensino médio em pré-vestibular, em cursinho preparatório para o Enem. Os sistemas de ensino estão se regozijando e multiplicando, conveniando escolas por todo o país, apostilando o ensino como nunca antes visto.

O negócio é preparar alunos para o Enem, o que dá a medida da "qualidade" do ensino da escola.

É, sem dúvida, situação lamentável. Remendo em pano velho.

A extinção do vestibular é, infelizmente, discurso factóide.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 79 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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