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Nossa Palavra

Ano 9 - nº 76 - 15 de setembro de 2009

Condições do magistério

por Marcus De Mario*

As discussões sobre o novo Plano Nacional de Educação para os próximo dez anos a contar de 2011 estão iniciadas, mas, o que aconteceu durante os dez anos de vigência do plano atual que ainda está em vigor? E nossa pergunta foca principalmente quanto às condições do magistério. Bem, foram feitas algumas conquistas, como o piso nacional de salário e a melhora da formação pedagógica em nível de graduação superior, mas municípios e estados continuam a desrespeitar as melhores condições exigidas para que o professor trabalhe com qualidade.

Continuamos com escolas de ensino fundamental precárias. Metade dos municípios não paga o piso salarial. Nem mesmo a nova seriação de nove anos está plenamente implantada. As queixas dos professores continuam as mesmas de sempre, com o agravante que, segundo pesquisa da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla),a maioria dos professores e diretores não acreditar nos seus alunos, considerando que irão abandonar os estudos.

Segundo especialistas, os professores (e diretores) sofrem com a escola massificada composta por jovens pobres, e também com o preconceito com o alunado, nunca se atribuindo alguma culpa pelo fracasso escolar, e sim apontado causas externas: rebeldia do aluno, família desestruturada, política pública ineficaz.

As causas externas existem, mas o professor não pode se recusasr a fazer uma auto-análise para saber se ele também não faz parte do problema, ainda mais quando a Ação Educativa, organização não governamental, publica o relatório Que ensino médio queremos?, mostrando que, em média, 43% dos jovens acreditam que os professores raramente ou nunca se orgulham de seus alunos.

Se os professores não nutrem boas expectativas sobre os educanbdos, o desenvolvimento da aprendizagem já está comprometido, e, como consequência, os resultados ao final de um ano letivo serão muito ruins, senão desastrosos. Professor que não acredita no educando, é professor que não o desafia, que não o estimula, e isso é grave, muito grave.

Bem, de tudo isso, o que queremos destacar é que as condições para a melhor execução do magistério, além de passar pela política do poder público, pela manutenção adequada das escolas, pela formação continuada do docente, pela melhor estruturação da família, passa igualmente pela crença do professor em si mesmo, na educação e no educando. O professor também faz parte do problema.

Será que o próximo Plano Nacional de Educação vai servir para debater essas questões e nortear ações práticas que visem efetivamente a melhorar o magistério?

Esta edição da ReConstruir procura contribuir para esse debate.

Boa leitura!


*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 76 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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