Ano 10 - nº 87 - Junho de 2011 - A revista do educador
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Literando
Kate Portela
Pollyana

A alegria não está nas coisas: está em nós.”
(Goethe)

Você conhece o jogo do contente?

Esse jogo consiste em encontrarmos alegria em tudo aquilo que nos acontece.

Ele nos é apresentado no romance “Pollyanna”, da escritora Eleanor H. Porter e simplesmente encanta o público de todas as idades.

No livro, o pai de Pollyanna ensina o jogo do contente à filha quando a menina recebe um par de muletas para crianças no lugar da boneca que havia pedido.

A alegria da situação, de acordo com a lógica do jogo, consistia em a garota ficar feliz justamente por não precisar das muletas.

A menina Pollyanna cresce aplicando o jogo do contente até mesmo nas situações mais difíceis com que se depara.

Sem dúvida, trata-se de um clássico da literatura infanto-juvenil, que deve ser apresentado aos alunos.

A professora Daniela Paula de Braga disponibilizou uma aula na internet para que os professores pudessem trabalhar com esta obra em sala de aula.

Ela sugere que, após a leitura do livro, os alunos façam cartazes ilustrando os momentos principais da história.

Isso é importante até para se pôr em discussão quais seriam as funções das ilustrações nos livros, se elas consistem apenas em repetições visuais do conteúdo textual ou se podem apresentar inovações e novos olhares envolvendo o texto narrado.

Em outra oportunidade, a professora sugere que se escolham alguns alunos para interpretarem a cena em que Pollyanna explica para Nancy o que era o jogo do contente.

De fato, essa é uma das cenas principais do livro e realmente merece um destaque, que será alcançado por meio da linguagem teatral. Esse diálogo entre a história narrada no livro e o teatro enriquecerá bastante a releitura da obra.

Em nova aula, a professora sugere que se divida a turma em duplas para que elas apliquem o jogo do contente em várias situações: (a) não tenho TV no meu quarto, (b) tirei nota baixa em matemática, (c) deixei minha casquinha de sorvete cair, (d) não ganhei o presente que estava esperando em meu aniversário, além de outras circunstâncias mais.

Além disso, a professora sugere que se passe o filme “Pollyanna”, de Walt Disney, para a turma e, em seguida, aconselha que se peça para que os alunos comparem o filme com o livro.

O diálogo proposto entre a obra literária e a cinematográfica permitirá que eles percebam que cenas foram priorizadas, que trechos foram omitidos, como as personagens foram caracterizadas no cinema a fim de se alcançar a adaptação da obra para o filme, extraindo muitas lições preciosas.

De fato, essa proposta de aula baseada no livro “Pollyanna” é riquíssima.

O romance de Eleanor Porter é considerado, por muitos, como um precursor das obras de autoajuda, pois trata de uma transformação para a vida, pautada no otimismo e na alegria de viver.

Esse livro propicia a divulgação de valores éticos e morais que culminam no aperfeiçoamento da formação ética e moral de crianças e jovens.

Deste modo, a Literatura cumpre o seu papel de promoção das pessoas, pois as forma, reforma e transforma.

Afinal, como afirma Mário Quintana, “livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas, os livros só mudam as pessoas”.

Kate Lúcia Portela é professora Doutora em Língua Portuguesa, escritora e contadora de histórias.



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