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Literando Ano 9 - nº 77 - 15 de outubro de 2009 A leitura em sala de aula Nesta época de profundas transformações em que vivemos, a escola precisa, mais do que nunca, fornecer ao estudante os instrumentos necessários para que ele consiga buscar, analisar, selecionar, relacionar e organizar as informações complexas do mundo contemporâneo. Esse papel da escola ganha relevância em um país como o nosso: para muitos, fora da escola, são poucas as oportunidades de contato com a leitura para informação, para exercer minimamente a cidadania e para entretenimento. Por isso, entre outros papéis que deve desempenhar, a escola precisa se preocupar cada vez mais com a formação de leitores. Mas, com que espécie de leitores? Que sejam capazes de mobilizar que tipos de procedimentos e habilidades? Que atividades devem ser selecionadas para que os alunos desenvolvam as capacidades envolvidas no ato de ler? Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que não basta ensinar a ler e a escrever: é necessário desenvolver o grau de letramento dos alunos, dirigindo o trabalho para práticas que visem à capacidade de utilizar a leitura (e a escrita) para enfrentar os desafios da vida em sociedade e de fazer uso do conhecimento adquirido para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Para isso, é fundamental propor trabalhos com os diferentes gêneros que circulam na sociedade, mas sem deixar de criar situações que permitam aos alunos desenvolver as diferentes capacidades envolvidas no ato de ler. Além de ensinar a ler as linhas, é necessário desenvolver a capacidade de ler nas entrelinhas e de ler para além das linhas, isto é, devemos ensinar, avaliar e cobrar capacidades leitoras de várias ordens: capacidades de decodificação, de compreensão e de apreciação e réplica do leitor em relação ao texto, como sugere Roxane Rojo. Se, ao propor atividades de leitura, procurarmos contemplar essas diferentes ordens, nossos alunos serão capazes não apenas de localizar informações, mas de relacionar e integrar partes do texto, de deduzir informações implícitas, de refletir sobre os sentidos do texto —captando as intenções e pistas deixadas pelo autor —, de perceber relações com outros contextos, assim como de gerar mais sentidos para o texto e de valorar o que lêem de acordo com seus próprios critérios. Parece complicado? Os exemplos apresentados abaixo mostram algumas das capacidades de leitura utilizadas no dia-a-dia. Antes
da leitura Antecipar ou predizer: antecipar as informações que podem estar no texto a ser lido a partir do título, do tema abordado, do autor, do gênero textual; antecipar o tema ou idéia a partir do exame de imagens (fotos, gráficos, mapas, tabelas, ilustrações). Ativar conhecimentos prévios: incentivar os alunos a exporem o que sabem sobre o assunto / conteúdo e/ou forma do texto. Durante
a leitura Levantar e checar hipóteses: formular hipóteses a respeito da seqüência do enredo, da exposição ou da argumentação; confirmar, rejeitar ou reformular hipóteses anteriormente criadas. Perceber as implicações da escolha do gênero e do suporte: relacionar gênero escolhido com as intenções do autor; estabelecer relação entre suporte e organização textual. Localizar informações (explícitas ou implícitas no texto): situar quem é o autor, de que lugar (físico/social) escreve e em que época, em que situação escreve, com que finalidade; em qual portador o texto foi publicado (jornal, revista, livro, panfleto, folheto); localizar informações importantes para a compreensão do texto ou para fins de estudo; identificar palavras-chave para definição de conceitos; localizar informações relevantes para determinar a idéia central do texto; relacionar informações para tirar conclusões. Extrapolar: ir além do texto: projetar o sentido do texto para outras vivências e outras realidades; relacionar informações do texto e conhecimento cotidiano. Apreciar criticamente o texto (estética, afetiva, ética...): avaliar as informações ou opiniões emitidas no texto; avaliar recursos estilísticos utilizados; estabelecer relação entre recursos expressivos e efeitos de sentido pretendidos pelo autor. Depois
da leitura Apreciar criticamente o texto (estética, afetiva, ética...): avaliar as informações ou opiniões emitidas no texto; avaliar recursos estilísticos utilizados; estabelecer relação entre recursos expressivos e efeitos de sentido pretendidos pelo autor. Este artigo foi originalmente publicado no site www.escrevendo.cenpec.org.br. *Dileta Delmanto é mestre em língua portuguesa e autora de livros didáticos. .................................... Continue a leitura da Edição 77 da Revista ReConstruir.
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