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Literando

Ano 8 - nº 73 - 15 de junho de 2009

Sempre haverá tempo para se cultivar o amor


por Fátima Moura*

O mundo moderno oferece facilidades imensas. O progresso instala-se pouco a pouco, permitindo condições favoráveis ao nosso pleno desenvolvimento. Grandes realizações se apresentam. A ciência, com técnicas aprimoradas, impõe-se cada vez mais, trazendo melhores condições de vida ao nosso planeta. Porém, quanto mais nos integramos a esse universo e o dominamos, mais nos esquecemos de dominar o nosso universo interior.

Em nossa ânsia de grandeza, de produzirmos feitos mirabolantes, escravos do materialismo excessivo, nos esquecemos do nosso soerguimento moral e das maravilhas que podemos operar em nosso próprio benefício e no benefício de nossos semelhantes.

Em busca de êxito, de reconhecimento, de sucesso profissional, fingimos não ver mãos que se estendem até nós a cada momento, crianças que choram à margem do caminho pedintes e marginalizadas, famílias inteiras que sucumbem a dor, a fome, a miséria social e moral, alguém que simplesmente esperava somente uma palavra amiga para sentir-se melhor.

O homem se esquece de Deus, se esquece de amar e consequentemente isola-se em seu egoísmo, afundando-se nas realizações momentâneas, nas fascinações descabidas, imbuído do orgulho que gera a cegueira espiritual que o lança em direção ao vazio, em busca do nada.

O amor precisa estar na moda. Não existe tempo para que aprendamos a amar. Que o momento seja hoje, agora. Um sorriso, um abraço, um aconchego, um cafuné, um breve toque, uma palavra carinhosa, podem operar verdadeiros milagres do sentimento chamado afeto. A vida se revela para nós como um presente muito importante e temos a obrigação de buscar fazer dela o melhor que pudermos.

E é a vida que deve ser a nossa grande oportunidade. Se a encararmos assim, o trabalho e a felicidade do dever cumprido vão se incorporar em nossos corpos e espíritos, fazendo com que cada minuto, cada momento, cada emoção vivenciada possam realmente valer a pena.

Devemos e podemos iniciar em nós, o esforço que vai gerar a melhoria de todos os habitantes do nosso planeta.

Através dos dons que temos, dos livros que lemos, das poesias que estão a nossa volta, da família que recebemos, das dificuldades que nos propiciam um amargo mas importante crescimento, poderemos, se assim o quisermos, testemunhar desse amor, dessa força interior que nos move e que nos permitirá recolher os frutos semeados através de muito esforço e grande sacrifício é verdade mas, que se bem cultivados em terra fértil, irão reflorir num campo vistoso, firme, sólido, revelando uma construção edificada na sublime comunhão com o grande Arquiteto do Universo.

Aproveitemos a chance de estudar, de conhecermos cada vez mais, de cultivarmos nossas relações pessoais e acima de tudo, ofereçamos uma chance ao sentimento maior e mais belo que existe no universo, que é o amor.

Afinal, sempre haverá tempo para cultivá-lo, se assim o desejarmos.

*Fátima Moura é Escritora, Jornalista e Psicopedagoga Clínica.

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Continue a leitura da Edição 73 da Revista ReConstruir.

 

 

 

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