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Literando Ano 8 - nº 70 - 15 de março de 2009 Pessoas inteligentes causam medo?
Recebi pela internet um texto bastante interessante, mas recebo com ressalvas a sua colocação extremamente contundente em relação à educação. O texto intitula-se O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA e peço licença aos leitores para reproduzi-lo abaixo, a fim de que possamos fazer sobre ele algumas reflexões. Diz o texto: "Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu primeiro discurso, na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu desempenho naquela assembléia de vendetas políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse-lhe em tom paternal: "Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi demasiado brilhante neste seu primeiro discurso. Isso é imperdoável! Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta". Ali estava uma das melhores lições que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. Vale a pena lembrar uma famosa trova de Ruy Barbosa: "Há tantos burros a mandar em homens inteligentes que, às vezes, penso que a burrice é uma Ciência". A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. Temos de admitir, por outro lado, que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições importantes. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder. Mas, há que ter em consideração que esses medíocres, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de defender bem as posições conquistadas - como que com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar. Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas inexpugnáveis a quaisquer legiões de lúcidos. Dentro deste raciocínio, que poderia ser uma extensão do "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdan, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa de fingir que é burra se quer vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém, até numa conversa social. Assim como um grupo de senhoras burguesas, bem casadas, boicota, automaticamente, a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo (com medo de perderem os maridos), também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem as suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam "com uma perna às costas" Enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres repudiam-nos para se defenderem. É um paradoxo angustiante! Infelizmente, temos de viver com estas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues: "Finge-te de idiota, e terás o céu e a terra". O problema é que os inteligentes gostam de brilhar! Que Deus os proteja, então, dos medíocres". Fiquei pensando com meus botões sobre o que diria sobre esse artigo o psicólogo Daniel Goleman, Phd, profissional de sucesso, que através de seu livro "Inteligência Emocional", retoma uma nova discussão sobre o assunto da inteligência, trazendo o conceito da inteligência emocional como maior responsável pelo sucesso ou insucesso de uma pessoa. Segundo ele, a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. Desta forma pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão, gentileza têm mais chances de obter o sucesso. E isso inclui também a arte de falar em público, de resolver as mais variadas situações e tratar bem aos seus iguais. Que tipo de cidadãos queremos educar? É bom pensarmos nisso! *Fátima Moura é Escritora, Jornalista e Psicopedagoga Clínica. .................................... Continue a leitura da Edição 70 da Revista ReConstruir.
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