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Literando

Ano 7 - nº 60 - 16 de agosto de 2007

O livro e a valorização dos sentimentos


por Fátima Moura*

A POETISA E escritora Cecília Meireles, em muitos de seus artigos e poesias, demonstra a dimensão da importância do livro na vida da criança que, ao ouvir uma história, pode sentir as mais variadas emoções. Descobrir novos lugares, habitar mentalmente tempos e espaços diferentes e perceber que existem no mundo outros modos de vida, diferentes daquele que conhece como seu, pode ser um importante ponto de partida para um qualitativo crescimento tanto físico quanto intelectual.

Unindo o texto lido às ilustrações que o acompanham, a criança é capaz de recriar problemas e dificuldades vividas pelos personagens, tendo assim a oportunidade de esclarecer mais detalhadamente as suas próprias dificuldades e de encontrar o melhor caminho para resolvê-las.

Segundo a moderna psicologia e os fundamentos da psicopedagogia, a criança que desde cedo experimenta toda essa vivência através da literatura, terá no futuro, além de uma maior proximidade com a língua escrita, uma relação bastante positiva com o livro.

Para as crianças em cujo ambiente familiar não se proporciona esse contato com o livro, o papel da pré -escola é fundamental.

Educadores experientes e compromissados podem e devem oferecer à criança um ambiente propício a investiga-ção, a descoberta da construção e de noções sobre o mundo físico e social, e a literatura, se bem empregada em suas diversas formas de expressão, pode ser um poderoso auxiliar nesse processo.

Diagnosticar o quanto os alunos já sabem, antes de iniciar o processo da alfabetização, é a primeira afirmativa da teoria de Emília Ferrero e Ana Teberosky na obra "Psicogênese da Língua escrita", que as duas lançaram no ano de 1979, e que foi um marco dentro das novas pesquisas realizadas na área educacional.

Dentre outras coisas, afirmam as autoras que, ao criarem-se várias oportunidades para que a criança interaja com a língua escrita, assista a atos de leitura pelo professor ou por adultos, escreva livremente, escute leituras em voz alta, tendo a utilização da literatura infantil como coadjuvante, pode ser altamente benéfico para a absorção das primeiras noções da escrita.

O contato constante com a literatura infantil, antes de aprender propriamente a ler, permite que o processo de alfabetização da criança passe a ser extremamente prazeroso.

A literatura infantil além de tratar de conteúdos do interesse da criança, desperta sua curiosidade para as características sintático-semânticas da língua escrita e para as relações existentes entre a língua oral e a sua representação gráfica.

Cabe ao professor interessado escolher textos criativos, interessantes mas, acima de tudo, educativos, a fim de deixar gravado nesses pequenos corações, sementes produtivas e saborosas, que se farão germinar no futuro.

*Fátima Moura é Escritora, Jornalista e Psicopedagoga Clínica.

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Continue a leitura da Edição 60 da Revista ReConstruir.

 

 

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