Ano 10 - nº 87 - Junho de 2011 - A revista do educador
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Gestão
Marcus De Mario
Gestão humanizada e escola

O objetivo da escola não é o serviço de ensino que oferta à sociedade, mas sim o próprio homem, pois é ele quem pensa, quem idealiza, quem trabalha, quem produz, quem consome.

Relações rígidas professor-aluno são incompatíveis com bons resultados. Discriminações de toda ordem também afetam negativamente o resultado final.

Quando a escola foca o próprio homem, do porteiro ao diretor, o sinal verde se estabelece nas relações e canaliza todos os esforços para um resultado satisfatório.

É assim que entendemos ser necessário a toda e qualquer escola trabalhar constantemente a afetividade, a convivência e a espiritualidade de todos os homens e mulheres – adultos, crianças, adolescentes, jovens - envolvidos no seu processo interno de trabalho, se deseja realmente cumprir não apenas um papel servidor, mas, acima disso, cumprir um papel social de relevância no desenvolvimento da humanidade.

A crescente infelicidade dos professores em seu ambiente de trabalho, por ausência de uma “causa” que os valorize e motive, seja por parte da escola ou por parte dos professores, revela que há uma procura pelo significado, importância e realização do trabalho e não pelo simples “melhor salário”. Entendemos que a escola deve valorizar o “fazer” de seus colaboradores, e ainda mais: deve valorizar o homem, seja ele professor, aluno ou pai para conseguir fidelidade e comprometimento.

Investir no ser humano como pessoa, eis a chave do sucesso escolar, o diferencial ético e de responsabilidade social que deve caracterizar a escola do terceiro milênio.

Nesse contexto, o amor nas relações de convivência é fundamental. Somente laços de afeto e amizade construindo ideais comuns elevam o homem do seu dia-a-dia, estimulando o desabrochar de suas potencialidades criativas e, ainda mais, aguçando sua intuição espiritual, quando ele passa a ser sensível e a trabalhar com visão profunda de si mesmo, dos outros e da vida.

A afetividade, a convivência e a espiritualidade são indissociáveis e a gestão humanizada de pessoas tem por objetivo levar a escola a adotar um novo paradigma, fazendo do homem o sujeito de sua atenção e dedicação, olhando a vida na sua transcendência, com foco no bem coletivo.

Na gestão humanizada de pessoas, valorizar o homem no seu potencial é mais importante do que valorizar o lucro, no caso da escola particular, ou valorizar a burocracia, no caso da escola pública, até porque homens valorizados naquilo que eles são - pessoas, gente, seres humanos -, estabelecem melhor qualidade em todas as operações no mundo escolar.


Marcus De Mario é educador, escritor e diretor do IBEM.


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