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Gestão

Ano 9 - nº 84 - 15 de julho/agosto de 2010

Decisões impostas


por Marcus De Mario*

A diretora chegou, reuniu os professores, e comunicou, enfática:

"De agora em diante não é mais permitido aos alunos entrar na escola sem alguma peça do uniformw. Será enviado de volta para casa e receberá falta. Esta é uma decisão sem volta e não permite discussão".

Talvez nossa diretora esteja bem intencionada, mas como gestora de pessoas foi autoritária, pegando todos de surpresa, e ao não admitir nenhum questionamento, colocou-se frontalmente contrária ao diálogo. Resultado: gerou um conflito, pois muitos não concordaram com a decisão.

Alguns professores procuraram a coordenadora pedagógica, que, por sua vez, disse que a decisão estava tomada pela direção do colégio e que, portanto, nada podia fazer, até porque era uma ordem e devia ser cumprida. Novo conflito foi estabelecido.

Diz o ditado que de boas intenções o inferno está cheio, e deve ter muito acerto, pois o melhor meio de editar regras não é a decisão unilateral e imposta do mais forte para o mais fraco, ou de cima para baixo, e sim o diálogo constante na procura do senso comum, lembrando que em educação devemos desenvolver consciências, e a punição, ainda mais quando retira o aluno do ambiente escolar, nunca será defensável pedagogicamente.

Se a regra do uso do uniforme, que é uma regra comportamental, não estava clara no regulamento da escola, ou se havia certo grau de tolerância, não é uma decisão cerceadora e imposta de uma hora para outra que irá educar os alunos, que irá discipliná-los e fazer com que reconheçam a necessidade da obediência a regras.

Argumentará a direção do colégio que os alunos estavam abusando da tolerância concedida e que o uso do uniforme tinha virado uma bagunça, e que havia necessidade de fazer com que voltassem a usar o mesmo. Muito bem, os laços da tolerância afrouxaram, então deve ser feita uma retomada do assunto, debatendo-o, com a direção colocando sua posição, inclusive lembrando o regimento interno, e solicitando posicionamento por parte da coordenação pedagógica e dos professores. Somente após ouvir os educadores é que se poderia formatar uma decisão, a do senso comum, e não aquela que a direção crê ser a melhor. E será que é a melhor?

Confunde-se muito, em gestão, o que é de alçada da direção escolar, o que é de competência dos setores pedagógicos especializados e o que é da coletividade.  Tanto regras comportamentais quanto regras morais costumam ser atropeladas por decisõse individuais que pegam de surpresa os envolvidos, gerando, inevitavelmente, algum tipo de conflito. E o que se faz? Ouvimos muito a famosa frase:

"Os incomodados que se mudem".

Frase de efeito extremamente desgastada e improdutiva. Só revela nosso egoísmo e autoritarismo.

Dialogar e realizar assembléias periódicas, permitindo participação ampla no processo decisório, é trabalho de formação de consciências.

Enquanto nos considerarrmos, na gestão escolar, o todo poderoso, nunca teremos paz, nem encontraremos convivência amistosa, estando sempre às voltas com conflitos perturbando a escola.

Agora, se implantarmos o diálogo e compartilharmos as decisões, os conflitos serão minimizados, e ninguém poderá, pelos corredores, ficar maldizendo a direção.

Por último, um lembrete: não estamos discutindo o uso ou não do uniforme, e sim como chegar a uma boa decisão ouvindo todos que estão envolvidos no processo.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 84 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

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