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Ano 9 - nº 79 - 15 de fevereiro de 2010

Saber servir aos outros


por Marcus De Mario*

Ano atrás, quando se falava no diretor escolar a figura que vinha à mente era de alguém forte fisicamente, autoritário e centralizador. E devia ser assim para impor respeito e colocar a escola nos trilhos. E ai de quem desrespeitasse o diretor, ou diretora. Era chamada de atenção, reunião com os pais e suspensão na certa, se não chegasse à expulsão do irreverente e ousado aluno. O diretor decidia as diretrizes pedagógicas, sempre tinha a última palavra, e às vezes a primeira também, e os professores deviam seguir sua cartilha. Assim era o diretor, tempos atrás.

Esse diretor impunha o medo, terrificava os alunos. A simples ameaça professoral de encaminhar para a diretoria deixava o aluno com estresse emocional, ou provocava desafios ainda maiores. Ir para a diretoria era sinônimo de conseguir uns tempos fora da sala de aula. Tinha a parte ruim de levar bronca, ficar de castigo, ouvir sermão, às vezes apanhar, mas ganhar dois ou três dias de suspensão era muito legal, oportunidade única de ganhar liberdade.

Para não deixar o histórico escolar manchado por advertências e suspensões, os alunos criavam estratégias, driblando o olhar dos inspetores e inventando desculpas, e a escola passava a ser apenas um tempo enfadonho da existência, que o sinal anunciando o recreio ou fim da jornada escolar, era alegre despertar.

A figura do diretor escolar forte, autoritário e centralizador fez muitos estragos no processo educacional. Não apenas com os alunos, mas igualmente com os professores, que passaram a ser cordeirinhos embalados pelo seu pastor, aceitando currículos, ordens, sermões. A autonomia foi para o espaço.

Hoje comprendemos que o melhor diretor escolar é aquele que sabe servir, dispor, viabilizar, coordenar.

E que sabe ouvir, respeitar as individualidades e tornar todos os professores, funcionários, alunos e pais colaboradores da escola, visando a fins comuns na educação.

Gerenciar conflitos, deixar claras as diretrizes administrativas e pedagógicas e não se escravizar às questões burocráticas também caracterizam o diretor (ou gestor) escolar dos tempos atuais.

É muito melhor ter alguém com quem podemos dialogar e trocar ideias, não é mesmo?

Então, se você é diretor de escola, ou está pensando em alcançar esse patamar, lembre-se que hoje estamos necessitando de gestores e não centralizadores, de autoridade e não de autoritarismo.

Descobrir os benefícios de servir é ir além de ser servido, e essa descoberta é essencial para que a escola se transforme e seja referência na sociedade do terceiro milênio.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 79 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

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