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Gestão

Ano 9 - nº 78 - 15 de novembro de 2009

Conquistando colaboradores


por Marcus De Mario*

Ele exercia o magistério público em gande centro urbano, mas cultivava em seu íntimo o sonho de morar numa cidade do interior, lugar mais sossegado, com melhor qualidade de vida. A perspectiva de conseguir transferência era mínima, mas, aproveitando sua formação com especialização em gestão escolar, participou de concurso feito pela secretaria estadual de educação para preenchimento de vagas de direção de estabelecimento de ensino em várias cidades interioranas. Era uma bela oportunidade, embora tivesse que abrir mão do trabalho em sala de aula.

E veio o resultado: aprovado. Nosso professor foi designado para exercer a direção de uma escola em cidade que ele nem sabia que existia. Feitos os preparativos, avnçou pela estrada, confiante, mas ao mesmo tempo preocupado, pois não sabia com exatidão o que iria encontrar.

E encontrou uma escola de porte médio em pequena cidade do interior do estado. a recepção pelos novos colegas não foi das melhores, afinal ele era um "estrangeiro", tinha vindo da capital e, apesar de concursado, era visto como um fiscal, um interventor. O início foi difícil, com boicote de parte dos professores e funcionários ao seu trabalho. Mesmo os pais não davam muito apoio.

Foi quando chegou o mmonento de organizar a primeira grande fesata da escola. Os alunos queriam liberdade para planejar e organizar. Os professores queriam controle total sobre a festa. Ele resolveu fazer uma reunião com os principais professores oposicionistas de sua gestão. Convidou-os a formarem uma comissão, afinal eles eram os professores mais antigos e experientes, que seria encarregada do planejamento, organização e controle da festividade junto com a comissão formada pelos alunos. Ele, diretor, ficaria de fora, apenas auxiliando quando fosse necessário, sem intervir. Foi uma demonstração de confiança nos professores, que se sentiram estimulados ao trabalho.

A festa foi um sucesso e, a partir dela, tudo mudou. Os que faziam oposição passaram a colaborar. Os que tinham receios, passaram a colaborar. Um novo tempo teve início na escola.

Esta história é verdadeira e mostra como deve atuar um bom gestor. Ele deve fazer com que funcionários, alunos e pais passem a ser colaboradores e não inimigos ou indiferentes ao processo decisório e de realização. Nosso novo diretor poderia ter assumido a responsabilidade e tomado decisões, mas seria o melhor caminho? Ele decidiu conversar, formar uma comissão e convidar os "inimigos" para tomar assento nesse grupo de trabalho, outorgando-lhes as responsabilidades pelo planejamento e execução. Deu um voto de confiança e mostrou-se aberto ao diálogo.

O grande erro que muitos gestores cometem é tornarem-se inimigos dos inimigos. E chafurdarem em procedimentos burocráticos da administração escolar, não tendo tempo para cuidar do essencial: o relacionamento humano. Tornam-se centralizadores, mandatários e perdem a bela oportunidade de transformar professores, funcionários, pais e alunos em colaboradores.

Se você é gestor escolar, ou pretende ser, não perca essa oportunidade.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 78 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

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