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Gestão

Ano 9 - nº 76 - 15 de setembro de 2009

Servente também é gente


por Marcus De Mario*

Durante muito tempo os funcionários da escola foram considerados à margem do processo educacional. Escola é lugar privilegiado dos professores. Funcionários de apoio não são professores, não possuem formação pedagógica, portanto, não devem ter ideias, e muito menos dar palpites sobre a prática pedagógica. E assim os funcionários de apoio ficaram invisíveis, embora estejam a todo momento em contato com crianças e jovens, os alunos da escola.

De tanta invisibilidade, os funcionários de apoio considerados, digamos, subalternos, de menor categoria profisional, realizando tarefas consideradas humilhantes pelos professores, perderam também a visibilidade de serem seres humanos. Eles estão na escola apenas para fazer seu serviço, e ai dos que não fizerem bem feito. Assim, coitados dos serventes. Limpam, recolhem o lixo, e limpam, recolhem o lixo, o dia todo, e sequer recebem um "obrigado".

Entretanto, servente também é gente! Ele, como todos os funcionários de apoio, também está inserido no universo escolar e, portanto, no contexto pedagógico.

Se o servente não limpar, a escola vira uma sujeira só.

Se o servente não recolher o lixo, a escola vira enorme lixeira.

Se o servente não cuidar dos banheiros, as aulas terão de ser suspensas.

E, é bom lembrar, ele não existe apenas no momento de trazer um cafezinho. Repetimnos, na lembrança do notável educador Paulo Freire: ele é gente, tanto quanto o aluno, o professor, o diretor.

Uma boa gestão escolar leva em consideração a existência de todas as pessoas que fazem a escola. Como pode haver um bom processo pedagógico, se, por exemplo, o servente usa a vassoura para ameaçar os alunos que jogam papel no chão?

Gestão participativa leva em consideração todos, sem exclusão, pois todos são educadores, estão sempre ensinando alguma coisa a alguém, mesmo que esse ensinar não seja amparado por uma metodologia, por uma didática.

As reuniões internas no âmbito escolar devem ter a presença e participação dos funcionários de apoio, inclusive os serventes, que devem dar suas opiniões, e estar inseridos na missão da escola, suas finalidades, seus objetivos, conhecendo os procedimentos pedagógicos, para que não sejam pedra de tropeço no espaço educacional escola.

E como todos os que fazem a escola são pessoas, são gente, são seres humanos - desculpe-me o leitor a repetição, mas é para despertar as consciências - uma boa gestão deve ser, prioritariamente, humana, levando em consideração os aspectos afetivos da construção de relacionamentos.

Quando envolvermos e sensibilizarmos todos os que trabalham na escola, acredite, vamos descobrir entre eles verdadeiros educadores, inclusive entre os serventes.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 76 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

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