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Gestão

Ano 8 - nº 74 - 15 de julho de 2009

Cooperação, competição e ética


por Marcus De Mario*

Capacidade técnica é sinônimo de competência e habilidade na gestão de pessoas? A prática revela que essa equação não é correta. Todo mundo, no ambiente escolar, tem alguma história para contar sobre fulano ou fulana que, apesar de sua ampla formação acadêmica, ou seu progresso na carreira dentro da mesma escola ou do sistema de ensino, na hora em que assumiu a direção...fracassou. Por que? Decerto que capacidade e conhecimento não faltavam, entretanto lidar com gente vai muito além disso: requer tato, empatia, habilidade, ingredientes fundamentais para conseguir a adesão e cooperação da equipe.

Ninguém lida com professores, pedagogos, merendeiras e outros profissionais. Lida com gente, com pessoas que têm nome, personalidade, história, sonhos, capacidades. Quem assume cargo de direção e esquece disso está fadado ao insucesso.

Diretores que só enxergam metas, produção, regulamentos costumam desumanizar o ambiente de trabalho, tornando-o frio, formal e acarretando problemas nos relacionamentos entre os membros da equipe e entre a equipe e sua liderança. É comum, quando isso ocorre, os membros da equipe transferirem seu mal humor, seu estresse para a eescola, extrapolando o setor em que atuam.

Muitos líderes alegam que é impossível trabalhar sem competição, afinal todo mundo quer subir na carreira, aparecer, ser notado, e isso, reconhecemos, é natural, mas competir sem degradar, sem atropelar, e ser escolhido para um cargo de direção, exige comportamento ético e espírito de cooperação, o que nem sempre a capacidade técnica referenda. As pessoas que gostam de acumular graduações, pós-graduações, MBAs e especializações em seu currículo talvez não sejam as mais aptas para gerenciar pessoas, para liderar uma equipe de trabalho.

Crescer na escola ou na secretaria de educação deve representar o conjunto de qualidades e habilidades no desempenho das funções, e, igualmente, o conjunto das virtudes que constituem o caráter, pois cooperação e ética são requisitos imprescindíveis para caracterizar a escola como formadora responsável do terceiro milênio. Os tempos de competição sem freios, que deram origem ao capitalismo selvagem, devem ficar no baú da história.

Cooperação e ética só trazem bons resultados, dão bons frutos, e fazem da competição uma disputa saudável. Dá para viver com essa tríade? Dá sim, inúmeros exemplos estão surgindo. Só temos que abrir mão do egoísmo e do orgulho, colocando de lado o "eu é que sou bom, eu é que mereço", substituindo, sem pieguice, pela frase "somos uma equipe, todos merecem". Nesse ambiente o verdadeiro líder, o verdadeiro gestor de pessoas vai aparecer naturalmente.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 74 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

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