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Gestão

Ano 8 - nº 72 - 15 de maio de 2009

O amor nas relações humanas


por Marcus De Mario*

A gestão de si próprio e a gestão dos outros estão na pauta das aptidões gerenciais, pois apenas o conhecimento técnico não basta ao bom exercício da liderança, seja no nível de diretoria como nos níveis intermediários (coordenação, por exemplo), e o elemento principal, nem sempre bem compreendido, é o amor.

Normalmente entendemos o amor como aquele impulso que nos leva para outro ser no desejo de se unir a ele, mas a verdade é que o amor possui variações infinitas, sendo princípio da vida, e sua manifestação possui gradações desde as mais vulgares até as mais sublimes, com maior ou menor intensidade.

O amor é um sentimento sublime e para compreendê-lo é necessário apreender o sentido da palavra sentimento, ou seja, disposição afetiva de um ser para outro ser. Estar disposto a compartilhar com o outro, estar disposto a compreender o outro, estar disposto a caminhar com o outro, estar disposto a construir com o outro. E tudo isso é fundamental para fazer de um grupo de trabalho uma equipe cooperativa, onde a competitividade é pela melhor qualidade nos resultados a serem alcançados.

Quem dá amor tende a receber amor, por isso podemos afirmar que o amor é uma fonte inesgotável, está sempre em realimentação. O que dou para os outros, saindo do meu coração, os outros retribuirão também com amor. Disposição afetiva gera disposição afetiva, mas o que parece óbvio na teoria, na prática das escolas nem sempre funciona a contento, isso porque as lideranças muitas vezes falham no exercício dessa disposição afetiva, seja por negarem feedback, seja por excesso de eficiência individual, seja por imaturidade (falta de maior experiência), seja por agressividade excessiva no ímpeto de liderar, seja por não saber exercitar a tolerância.

O amor deve gerar no homem três fundamentos da boa liderança, ou melhor dizendo, da liderança espiritualizada: altruísmo, piedade e bondade.

O altruísmo fundamenta-se na capacidade de dedicação ao outro sem aguardar recompensas. É dedicação voluntária, doação do seu melhor para o melhor do outro.

A piedade está ligada à religiosidade, ou seja, na crença em algo superior e que norteia seus objetivos e seus passos na vida, facilitando o acesso ao próprio potencial, e isso tem tudo a ver com o exercício da liderança numa escola, onde capacidade de comunicar e motivar demonstra a profundidade na crença em valores de carreira e valores educacionais.

A bondade é a exteriorização da boa índole, do caráter ético, dos valores do líder contagiando a todos.

Resumindo: o líder espiritualizado sabe dedicar-se ao outro, possui crença superior na vida e demonstra sempre seu bom caráter.

Ame-se e saiba amar o outro, então você saberá realizar com proveito e profundidade a gestão de si próprio e a gestão dos outros, pois estará estabelecendo parâmetros no sentimento, equilibrando o conhecimento técnico com os valores humanos, afinal o líder não vive apenas dos seus talentos.

Nas relações humanas a presença do amor no olhar, no gesto, na palavra, no comportamento, na atitude é garantia de construção de novos valores, mais sadios, éticos e sustentáveis, que gerarão uma sociedade diferenciada. Responsabilidade social e gestão de pessoas no mundo escolar, para construir novos valores, passam pelo entendimento e vivência do amor.

E quem melhor para entender e vivenciar o amor senão os líderes? Pense nisso, pois o líder é orientador de liderados, é facilitador de competências, habilidades e poder criativo daqueles que compõem seu grupo de trabalho. É como a luz sinalizadora que impulsiona os outros a chegar no fim do caminho. E não pense que pintamos demais nossas palavras com poética, é que o amor deve nos sensibilizar, e quem se sensibiliza torna-se criativo, mais humano e mais disposto a amar.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 72 da Revista ReConstruir.

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