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Gestão

Ano 8 - nº 68 - 15 de novembro de 2008

De diretor a gestor


por Marcus De Mario*

Na atualidade fala-se muito em gestão escolar e, por consequência, do gestor da escola e não mais do diretor. Qual o siginificado disso? Muda realmente alguma coisa, ou é apenas troca de nomenclatura?

Lembro meus tempos do antigo ginasial, mas pegando a implantação do primeiro grau, hoje ensino fundamental, passados em escola pública estadual paulista, e a figura do diretor, que impunha respeito e medo. Ele era o todo poderoso. Ser levado à diretoria era a última coisa que um aluno podia querer na vida. Cruzar com o diretor e não cumprimentá-lo podia significar uma reprimenda na frente de todos e até mesmo uma advertência anotada na caderneta escolar.

Certa vez, por causa de estrepolias feitas por alguns alunos da turma, o diretor foi até nossa sala. Era praxe, na sua entrada, todos se levantarem em sinal de respeito. Ele apontou com o dedo, e verbalmente, os alunos acusados da bagunça, e ali, na frente de todos, fez um sermão em voz alta, inclusive denegrindo os alunos, rebaixando-os a vermes inúteis.

E muita coisa dependia da autorização do diretor. Tínhamos a impressão que ele só tinha por amigos os inspetores.

Ele foi substituído e passamos a ter uma diretora, figura feminina. Bem mais dócil, ela implantou o diálogo. Gostava de passear pelos corredores e encontrar os alunos. Incentivou exposições de arte. E aquele drama de comparecer à diretoria foi diminuindo, pois ela nos atendia bem, conversava com os pais.

Enquanto esteve à frente dos destinos escolares implantou o plano pluricurricular, abrindo oficinas técnicas profissionalizantes, e embora se zangasse com as nossas "peladas" em qualquer canto da escola, pediu aos inspetores que fossem mais tolerantes.

Qual a diferença entre os dois diretores? O primeiro era o diretor clássico, tradicional, de pouco diálogo, concentrado no seu trabalho burocrático e mandatário supremo de todos os destinos. O segundo era o gestor moderno, com muito diálogo e incentivador da participação e da modernização pedagógica.

Como pudemos perceber pelo exemplo, não se trata de simples troca de palavras, mas troca de visão e postura.

Mesmo que continuemos oficialmente, ou não, a chamar o diretor de diretor, importante é que ele tenha atitude de gestor, comportamento de gestor, pensamento de gestor.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, publisher da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 68 da Revista ReConstruir.

 

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