Ano 11 - nº 89 - Fevereiro de 2012 - A revista do educador
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Família
Bruno Zaminsky
Diálogo entre os pais


Diante dos inúmeros problemas domésticos encontrados na atualidade, um dos mais graves, e pivô de inúmeras situações desagradáveis em família, é a falta de diálogo entre os pais. Tornou-se cena comum os filhos verem seus pais em brigas, discussões, com tom de voz alterado, ou, o contrário, verificarem que seus pais mal se falam, muito pouco sabendo de um e de outro. São situações extremas, difíceis, mas que têm solução.

Todos precisamos entender que o diálogo é essencial para a vida humana, para o relacionamento sadio entre os seres e a construção de amizades, portanto, exercitar o diálogo é fundamental.

Se já somos adultos e estamos enamorados de alguém, devemos compreender que a relação só irá para frente se soubermos, o tempo todo, dialogar, ou seja, conversar aberta e amistosamente com o parceiro/a sobre todas as coisas, permitindo ao outro que nos conheça, ao mesmo tempo em que passamos a conhecer o outro, objeto dos nossos sonhos afetivos. Quando o namoro se alicerça entre "tapas e beijos", o futuro, caso isso se torne uma união efetiva, não é muito promissor.

Nosso grande problema para estabelecer diálogo é que somos demasiadamente orgulhosos e egoístas. Sei que é duro ouvir isso, mas é a verdade. Então queremos manter intocável nossa individualidade, não interagindo com o outro como deveríamos, escondendo pensamentos, dizendo uma coisa e fazendo outra, não priorizando os interesses do outro e assim por diante. Com o tempo o relacionamento se torna morno, e depois esfria de vez. Ou esquenta com aquelas brigas intermináveis, quando tudo nos leva a um "bate-boca" acalorado.

Se brigas, discussões e silêncios nos incomodam profundamente, como ficam os filhos nesse cenário? Não se sentirão igualmente incomodados? Lembremos que nossos exemplos arrastam, portanto, a tendência dos filhos é ter comportamento igual ao nosso. Teremos uma família, muito provavelmente em um dos dois extremos: ou todo mundo briga com todo mundo, o tempo todo; ou ninguém se fala e cada um vive a sua própria vida.

Claro que o ideal é a coluna do meio, ou seja, uma família em que os pais conversam entre si para trocar ideias e resolver todas as questões domésticas. E nisso incluem ouvir os filhos e ter conversações abertas, sem imposições. Não é tão difícil fazer isso.

Comecemos nos percebendo. Se damos tempo e espaço para ouvir os outros. Se nossas decisões são em conjunto com os outros. Se falamos com respeito ao outro. Se nosso tom de voz é calmo e adequado. Se somos participativos ou mais isolados. Perceber-se na relação é importantíssimo, pois fácil é jogar sobre os ombros do outro todos os problemas de relacionamento, como se existisse apenas um culpado.

Agora que nos percebemos, iniciemos o trabalho de termos mais paciência e compreensão, mais tolerância e participação, abrindo espaços para conversar e dando mais tempo para ouvir e opinar, mas sem imposições, sem ditadura, ou sem aquela famosa frase: "o que vocês decidirem está bom para mim".

A construção do diálogo irá gerar filhos mais sadios, equilibrados e que, por sua vez, saberão dialogar com os componentes dos diversos grupos sociais a que pertencerão ao longo da vida, e quando chegar a vez deles do enamoramento, não ficarão calados ou impositivos, pois saberão dialogar para fermentar o amor e consolidar a união com o outro.

Inicie logo a construção do diálogo se você quer ter paz em sua vida familiar.

Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor educacional.

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