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| Ano 11 - nº 88 - Janeiro de 2012 - A revista do educador www.educacaomoral.org.br/reconstruir |
| Família Bruno Zaminsky Conversa de corredor Nada
melhor do que encontrar um colega de profissão num corredor da
universidade e aproveitar para colocar os assuntos em dia. A
conversação informal, espontânea, é a melhor que existe, pois é nesses
encontros em que nos abrimos, falamos o que queremos e, muitas vezes,
despejamos nossas frustrações, ansiedades, medos e, também, alegrias e
sonhos. Ao findar do último ano, encontrei o Mathias. Ele é professor da Faculdade de Educação e somos colegas de curso. Estava desalentado, e não era por causa do salário ou das condições de trabalho. Havia perdido a crença nos alunos. "Pois é isso mesmo - disse-me ele - quando muito talvez faça exceção para dez por cento, ou menos, que realmente acreditam na educação e querem fazer alguma coisa por ela. A maioria dos alunos está na faculdade por falta de opção. Sonham em ter outra profissão, mas, fazer o quê, não deu para passar no vestibular para a carreira pretendida, então sobrou a pedagogia. E agora, meu amigo, as turmas estão esvaziando, pois os jovens se deram conta que é melhor ficar no nível técnico do que ser professor". Ouvindo o Mathias, que é bom professor, idealista e trabalhador, lembrei de certa ocasião em que tive oportunidade de visitar uma escola pública e, a pedido da direção, troquei umas palavras com a criançada, meninos e meninas de até seis anos de idade. Eram cerca de sessenta alunos, e perguntei o que gostariam de ser quando crescessem. No universo de profissões listadas, apenas uma criança, e era uma menina, disse que gostaria de ser professora. Ninguém mais. "Antigamente não era assim", informa minha mãe, que foi professora primária (hoje é o atual primeiro segmento do ensino fundamental). E, com ares sonhadores, começa a recordar, com orgulho, a realização do curso normal (que formava professores), a chegada na escola e as primeiras aulas. Como era gratificante dar aula e o bom status social que a profissão revelava. Eram outros tempos, sem dúvida, pois hoje as novas gerações acreditam que ser professor é ser saco de pancada de todo mundo, é ser um coitado social. Como mudar isso? Como dar uma injeção de ânimo no Mathias? Será que a educação tem jeito? O Mathias está começando a crer que não há mais nada a fazer, e minha mãe aponta, com sua sabedoria e experiência: "está faltando humanização no ensino e, portanto, na escola; o professor está sufocado pela burocracia e pelo pedagogês". Assino embaixo. Aproveitei a conversa de corredor para apresentar ao Mathias os projetos e realizações do IBEM, que apoio desde sua criação, e ele mostrou nos olhos novamente aquela chama do entusiasmo. e perguntou: "Mas como eu nunca vi nada disso aqui na faculdade?". Bem, tive quei informá-lo que, infelizmente, nunca havia conseguido junto à coordenação e à direção, uma vaga, um tempo, enfim, o apoio para apresentar o projeto, mas que não desistia, sonhando, e acreditando, com o tempo em que isso acontecerá. A conversa de corredor chegou ao seu final. O Mathias saiu um pouco mais aliviado, afinal, se tem gente que acredita e trabalha por uma nova educação, então nem tudo está perdido. E, realmente, eu acredito que sempre será tempo de renovarmos a esperança e refazermos os caminhos da educação, para termos pais e mães mais conscientes, famílias melhor estruturadas e jovens que sonhem mais, idealizem mais, sintam mais e queiram muito mais. Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor educacional. |
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