Ano 10 - nº 87 - Junho de 2011 - A revista do educador
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Família
Bruno Zaminsky
O papel dos avós

É comum, nos dias atuais, avós tomarem conta dos netos, enquanto os pais trabalham profissionalmente, sendo que em muitos casos os filhos retornam ao lar somente no fim de semana, ou encontram seus pais à noite quando retornam do trabalho. Como a criança fica sob os cuidados e orientações dos avós durante todo o dia, é inegável a influência educacional dos mesmos sobre os netos.

Algumas situações caracterizam essa influência. A primeira situação é gerada pelo fato das crianças serem netos e não filhos. Há uma diferença muito grande entre educar um filho e um neto, pois não os vemos e nem os sentimos da mesma maneira. Geralmente os avós procuram fazer as vontades dos netos, acreditando que estão apenas auxiliando a filha ou o filho, estes sim responsáveis pela educação da criança, e auxiliando apenas para cuidar do neto em determinadas horas ao longo dos dias. É comum vermos os avós se queixarem com os filhos das desobediências e travessuras do neto, ou seja, solicitam providências dos verdadeiros pais.

Outra situação é quando os pais querem determinada educação para seus filhos, mas os avós cuidam de ensinar e orientar de modo diverso, gerando conflitos nas relações.

Ainda outra situação acontece quando os avós tratam os netos com muito mimo e carinho, e estes se sentem melhor na casa dos avós do que na sua própria casa com os pais.

Todas essas situações estão inseridas num processo educacional, e assim devem ser analisadas, pois a criança é que está recebendo as influências e formando o seu caráter e desenvolvendo a inteligência de acordo com essas mesmas influências.

Sempre dissemos e continuamos a dizer, que os jovens candidatos ao casamento devem antes preparar-se para essa união e, entre outras coisas, devem estudar a questão de ter um filho, cuidar do mesmo e educá-lo, ponderando as questões profissionais para sustento do lar e o espaço/tempo para estar com os filhos. Se houver a necessidade de deixar a criança com os avós (paternos e/ou maternos), que isso seja conversado e resolvido com antecedência, inclusive com o acerto do que se quer para a criança, para que o discurso e atitudes dos avós não contradigam o discurso e atitudes dos pais.

De qualquer maneira, o papel dos avós na educação dos netos é de fundamental importância no desenvolvimento da criança. Os avós tendem a ser afetuosos e solícitos, o que é muito bom para o desenvolvimento emocional dos netos, e também podem transmitir suas experiências de vida, enriquecendo o patrimônio existencial da criança.

Claro que os avós devem lembrar que os netos são de uma nova geração, com outra visão de mundo e outra dinâmica de vida, devendo adaptar-se o melhor possível a essa realidade, sendo joviais e não ranzinzas, e com pensamentos positivos e não cristalizados no passado.

Devem ainda os avós compreender que estão não apenas cuidando dos netos, e sim auxiliando os pais na educação dessas crianças, que não são apenas coisas lindas, mas seres humanos em desenvolvimento.

Compenetrados do seu papel de educadores, os avós conseguirão integrar-se com os filhos na dedicação aos netos, evitando assim aborrecimentos que normalmente geram pontos negativos no relacionamento familiar.

Alguns avós queixam-se do trabalho que lhes dá cuidar dos netos, alegando que já cumpriram com suas obrigações quando tiveram e cuidaram de seu filhos, e que não lhes compete a obrigação de cuidar dos netos. É verdade, não é uma obrigação dos avós cuidar e educar os netos, mas é seu papel auxiliar os filhos nessa tarefa, compreendendo que, quando foram crianças, seus avós cumpriram também com essa tarefa, o que deve ser feito com amor e não com queixas que chegam aos ouvidos das crianças antes que dos pais.

Se você é avô ou avó, medite sobre o conteúdo deste capítulo e confira consigo mesmo como está sendo o cumprimento do seu papel de educador junto aos netos.


Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor educacional.
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