Ano 10 - nº 85 - Abril de 2011 - A revista do educador
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Família
Bruno Zaminsky
Nos caminhos da adolescência


Estava no campus universitário e reparei numa turma de jovens provindos de uma escola particular de ensino médio que, através de monitoramente, visitava a instituição de ensino superior á qual estou vinculado. Curioso, aproximei-me e descobri que eram alunos do 3º ano, e fui, depois de uma rápida conversa, apresentado pela simpática professora como um dos professores da faculdade de educação, o que gerou uma certa curiosidade por parte dos estudantes. E lá fui eu responder algumas perguntas, num bate-papo descontraído, à sombra das árvores que formam uma das alamedas da instituição.

Curiosidade de jovem não tem limite, para desespero da professora, e logo as perguntas saíram do foco estritamente educacional, do tipo "como funciona a faculdade?", "o que faz um pedagogo?", para perguntas bem mais envolventes, como esta: "como é a azaração com as garotas aqui na universidade?". Os risos ecoaram e lá se foi a conversa para sexo, drogas e temas tais, pertencentes ao universo vivencial  daqueles garotos e garotas em preparação para o mundo juvenil do vestibular e da faculdade.

Fiquei bem à vontade, pois gosto imensamente dessas conversas soltas, onde podemos adentrar no universo juvenil, sondar seus valores e ideais e, ao mesmo tempo, semear coisas boas, pois eles têm muito o que aprender, e também já têm muito o que dar para a sociedade.

De alguns percebi muita inquietação, um certo desdém com o futuro, ou pelo menos insegurança quanto a ele, e muita incerteza quanto a responder a famosa pergunta "o que você quer ser quando crescer?", no nosso caso adaptada para "que profissão você quer seguir?". A maioria, faltando menos de um ano para se preparar para o vestibular e escolher uma faculdade, não sabe o que escolher.

Confessaram sofrer pressão por parte dos pais e da sociedade para, de qualquer maneira, entrarem no ensino superior, como se isso fosse determinante para o futuro deles e da família que representam, afinal, dá "status" dizer que o filho está na faculdade.

Depois de um tempo, olhei para todos eles e, na verdade, não enxerguei jovens, e sim adolescentes em idade juvenil, isso mesmo, estavam todos na faixa etária dos dezessete anos, mas pensavam e agiam como se fossem meninos e meninas de 14/15 anos, mais preocupados em "azarar", "ficar" e coisas do gênero, ou seja, não estão preparados, não estão maduros para enfrentar o enisno superior, que os levará a ter uma formação profissional.

Mais vale uma balada regada a muita bebida alcóolica, embora a lei proíba, do que pensar seriamente em ser isso ou aquilo no futuro. Mas eles vão para a faculdade, e o colégio provavelmente sustentará um banner, ou outdoor, para listar seus nomes como vencedores.

Alguns deles encontrarei em sala de aula. Que educadores serão? Antes, que homens e mulheres serão? Eis a questão.
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