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Família

Ano 9 - nº 84 - 15 de julho de 2010

O que queremos para nossos filhos

por Bruno Zaminsky*

Olhando para meus alunos, em plena sala de aula universitária, indaguei sobre seus valores de vida, do que eles não abrem mão para viver. As respostas, confesso, não me surpreenderam. Num bate-papo descontraído, os principais valores de vida apontados como essenciais foram dinheiro, sexo, diversão, trabalho, e, em escala de menor importância, amizade, paz, justiça, saúde, entre outros. Na experiência cotidiana com os jovens, sabemos na prática que os principais valores estão ligados a questões materiais, físicas, que satisfazem as sensações, e isso ficou provado no exercício realizado. Uma jovem chegou a dizer que não podia, em absoluto, abrir mão da cerveja das sextas-feiras, a famosa saideira com os amigos, independente de já ser casada. Perguntei se o esposo a acompanhava e, entre risos, disse que era melhor que ele não estivesse presente.

Valores não aparecem espontâneamente, devem ser cultivados e desenvolvidos, tarefa muito importante da educação familiar, o que nos remete a fazer uma pergunta, e procurar as possíveis respostas: quando nossos filhos estão na fase infantil, o que queremos que eles sejam no futuro, quando adultos? Uma das respostas é clássica: quero que meu filho seja alguém na vida, que estude, tenha uma profissão e constitua, por sua vez, uma boa família. Entendamos essa resposta: não importa quem ele vai ser, mas o que vai ter. Bom emprego, com bom salário, independente de ser cooperador ou destruidor. Bom aluno, com boas notas, independente de ser um colador. É mais importante o "status" social do que o caráter.

Outra resposta possível, que também encontramos, mas não com tanta frequência, é aquela que informa a preocupação dos pais em dar uma educação ética, onde os filhos cresçam sabendo ser honestos, trabalhadores, respeitadores das leis e dos outros, e que consigam a melhor posição possível no mercado de trabalho, com possibilidade de construir um bom casamento, mesmo que tuddo isso não signifique, necessariamente, crescimento na pirâmide social. Aqui, temos a preocupação com a formação do caráter, com os valores ligados aos sentimentos.

Forçoso, neste momento, dizer que, no meio universitário, eencontramos muito mais jovens que passaram pelo primeiro processo educacional, onde ter é prioridade, do que jovens que tiveram o segundo processo educacional em suas vidas, onde o ser é mais valorizado.

Conversando com amigo que exerce função na engenharia de manutenção dos prédios da universidade, constatei que muitos alunos simplesmente quebram os banheiros por vê-los reformados. Destróem luminárias praticando artes marciais, e fazem sexo despudoradamente no campus, como se a satisfação dos instintos fosse necessidade incontrolável. Todas essas coisas, e muito mais, diariamente testemunhadas por ele, quando dos serviços de manutenção.

Com essas constatações, o que mais dizer sobre a necessidade urgente de revisarmos a educação familiar?

Devemos querer para nossos filhos o melhor, sem dúvida, e para isso precisamos nos perguntar o que, efetivamente, é melhor para eles, e para nós, pois a atuação dos nosos filhos na sociedade reflete sobre nós.

Bom seria que, numa próxima conversa com os estudantes, eles me dissessem que não podem abrir mão da honestidade, do respeito, da amizade, do amor. Entendo que, por enquanto, é pedir demais. Entretanto, nunca desistirei de sensibilizar seus corações, e de alertar os pais para o que deve ser feito, desde a infância, para melhor educar os filhos.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 84 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

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