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Família

Ano 9 - nº 82 - 15 de maio de 2010

Uma educadora chamada mãe

por Bruno Zaminsky*

As mães que não exercem uma profissão remunerada, que não estão inseridas no mundo corporativo (empresas), são normalmente classificadas como "do lar", expressão que o entendimento comum classifica como cumpridora das obrigações domésticas. Será apenas isso? Passemos a palavra a uma mulher-mãe, conforme texto que circula regularmente na internet.

"Uma mulher foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar. "O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário. "Claro que tenho um trabalho", exclamou. "Sou mãe". "Nós não consideramos "mãe" um trabalho. Vou colocar "Dona de casa", disse o funcionário friamente. Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona da situação, perguntou: Qual é a sua ocupação? Não sei o que me fez dizer isto, as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora "Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas." A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial. Posso perguntar, disse-me ela com novo interesse, o que faz exatamente? Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder: "Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24 horas). Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou e, pessoalmente me abriu a porta. Quando cheguei em casa, com o título da minha carteira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3 anos. Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (um bebê de seis meses), testando uma nova tonalidade de voz. Senti-me triunfante! Maternidade... que carreira gloriosa! Assim, as avós deviam ser chamadas "Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas". As bisavós: "Doutora- Executiva- Sênior". E as tias: "Doutora-Assistente". Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras. Doutoras na Arte de fazer a vida melhor!!!".

Belo texto, não é mesmo? Profundamente significativo, e que deveria ser lido e discutido em todas as reuniões de mães (deveria ser "pais", mas infelizmente os homens estão longe da dedicação das mulheres no seio da família). Isso porque existem mães, não poucas, que ainda não entenderam sua "profissão", conforme muito bem colocado pelas palavras explicativas de uma candidata a um emprego.

Se toda mãe fosse efetivamente uma Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas, teríamos uma juventude bem mais sadia, consciente e ética do que temos.

É dever da escola proporcionar aprendizados para a formação das futuras mães, assim como compete à família a boa orientação para o casamento e a formação da nova família, pois unir-se a alguém não é uma diversão, e muito menos educar filhos é uma festa. é por não dedicarmos espaço, tempo e lições para esse mister, que colhemos, de geração a geração, mais e mais problemas.

As mulheres não precisam necessariamente estudar Psicologia e Pedagogia, nem precisam possuir diplomas de especialização, para que possam ser mães. Mas precisam ter muito amor, muita paciência e muita disciplina para educar seus filhos, dando bons exemplos e preocupando-se em formar o caráter dos seus rebentos.

Se você é mãe, lembre-se: nunca deixe de exercer o que está escrito no diploma da sua alma, impresso em seu coração: Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 82 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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