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Família

Ano 9 - nº 80 - 15 de março de 2010

Como exercer a autoridade

por Bruno Zaminsky*

É tão comum assistirmos cenas de rebeldia dos filhos, desobedecendo as ordens dos pais, que isso já se tornou, na opinião de muitos pais, normal, pois já tentaram de tudo e não conseguem controlar os filhos. Bem, pode ser cena comum, mas daí aceitar como algo normal é intolerável, pois não se pode tolerar indisciplina, falta de limites, desobediência, agressividade, desrespeito. A questão fundamental está na resposta a seguinte pergunta: por que os pais estão com dificuldade para exercer autoridade sobre os filhos?

Uma cena descrita por uma professora de artesanato ilustra bem essa questão, dando-nos pistas concretas sobre o porque da atual falência da autoridade dos pais sobre os filhos. A cena é a seguinte:

Contratada por uma loja comercial para ministrar aulas de artesanato, estava a professora ensinando suas alunas, quando adentrou à loja uma senhora de meia idade tendo ao seu lado um garoto de aproximadamente seis anos de idade. A senhora foi às compras, ocupando a atenção de um vendedor, e soltou o garoto, seu filho, que, imediatamente, começou a mexer em tudo. Aproximando-se do setor de artesanato onde se encontrava a professora, o garoto logo foi pegando bonecos e outras coisas. A professora agiu e controlou a situação, mas o garoto, indignado, conseguiu derrubar vários objetos ao chão. A mãe, então, interviu, e, de onde estava, gritou para ele ficar quieto e não mexer em nada. Mas não saiu do lugar e continuou com a atenção voltada para o produto que queria comprar. Totalmente livre, e sem dar a mínima para a advertência maternal, o garoto continuou aprontando.

Eis, caro leitor, resumidamente, a história que me foi contada pela professora de artesanato, cuja culminância, depois de várias travessuras do garoto, foi a atitude da mãe em segurá-lo violentamente pelo braço e dizer em alto e bom som: "devia ter deixado você em casa, só me dá aborrecimento, maldita hora em que fui ter você!".

Chocante? Sem dúvida, mas realidade cotidiana em maior escala do que supomos, e que revela a causa, ou causas, da falta de autoridade dos pais sobre os filhos.

Os pais devem entender que a autoridade não pode ser conivente, não pode ser fraca. Ela deve ser firme e não pode tolerar o descaso, o fingir que não ouviu, o continuar transgredindo a regra. Não sair do lugar, lançar uma advertência e não ter atitude é se desautorizar perante os filhos, mostranbdo a eles que não queremos ter trabalho na educação, que somos moralmente fracos, ensejando assim que eles nos dominem e sejam seres sem limites e disciplina.

Os pais, e aqui observamos principalmente as mães, falam muito, gritam, ficam nervosos, ameaçam. Entretanto, que adianta falar, gritar, ameaçar se nada disso é acompanhado de diálogo, regras claras e atitudes não coniventes? É por faltarem essas três coisas - diálogo, regras, atitudes - que a autoridade não se estabelece.

E não podem esquecer os pais que tudo isso tem de ser feito com amor, não confundindo esse belo e maior dos senitmentos com pieguice. É por amor que os pais devem disciplinar os filhos, dando-lhes limites, deveres e responsabilidades, mostrando que para toda transgressão de regra existe consequência, e que a aplicação das consequências não é castigo, mas simples efeito do que foi feito pela criança.

Dialogar para estabelecer com clareza as regras de convivência é fundamental. E aplicar as regras, por mais doa o coração, também é fundamental.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 80 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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