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Família

Ano 9 - nº 79 - 15 de fevereiro de 2010

Os pais podem evitar desvios de conduta dos filhos?

por Bruno Zaminsky*

Em dia tão igual a qualquer outro, três jovens na faixa de 25 anos de idade praticam um assalto e são identificados pela polícia através das imagens das câmeras de segurança da loja comercial. São presos e levados à delegacia, quando se descobre que um deles é filho de oficial reformado da polícia militar. Esse oficial tem ficha exemplar e sempre foi considerado um combatente da corrupção, exemplo de boa conduta e cidadania, tendo ocupado cargos de relevância na corporação e no serviço ao estado. Entrevistado, ele disse a respeito do filho: "Se tivesse seguido meus conselhos e exemplos, não teria enveredado por esse caminho". A apresentadora do jornal televisivo deixa então uma pergunta no ar: será que os pais podem evitar os desvios de conduta dos filhos?

Os pais devem fazer todos os esforços para bem educar seus filhos, entendendo-se que isso significa orientá-los moralmente desde a infância, e essa orientação deve ser acompanhada de bons exemplos, pois de nada adinata falar, pedir, dar sermões, se essas coisas não são secundadas pelos próprios exemplos. Nem mesmo colocar de castigo resolve, e muito menos bater. Castigar e bater não educam. Podem "resolver" uma situação pontual, ocorrida naquele momento, mas na verdade apenas reprimem, e tudo o que é reprimido tende a explodir depois.

Pode parecer enfadonho aos pais dizermos que o diálogo, a conversa, desde os primeiros tempos da infância, sejam o melhor caminho para estabelecer regras, limites, responsabilidades e, portanto, bem educar, mas essa é a verdade constatada por inúmeras pesquisas sérias no âmbito pedagógico e comportamental. Assim, temos já três importantes componentes da boa educação: orientação moral, bons exemplos e diálogo.

Como a educação é um processo e deve respeitar a singularidade da pessoa, não significa que vá transformá-la totalmente nem moldá-la de acordo com o que queremos e sonhamos para ela. Todo filho é uma individualidade e sofre diversas influências além da dos pais: da mídia, da escola, dos grupos sociais, das culturas. Os filhos devem, através da educação que recebem dos pais, desenvolver o senso moral e discernir da melhor maneira possível o que é bom e o que não é para eles e para os outros.

Mesmo fazendo tudo isso que estamos estudando, os pais podem vir a assistir desvios de conduta de seus filhos, ou de um deles. Não siginifica necessariamente que os pais falharam na educação, mas que os esforços dispendidos não foram suficientes, ou tão fortes, para sensibilizar a alma do filho, que então se deixa levar pelas suas tendências, por falsas amizades, por valores outros que não os da ética, da honestidade, da cidadania consciente. É aqui que precisam os pais entender que a orientação moral também deve estar aliada à espiritualização do ser, ou seja, dar aos filhos novas e profundas perspectivas de vida, muito além da capacitação profisional e estar bem de vida, o que sempre é entendido do ponto de vista financeiro e posse de bens materiais. Essa vsião do ser e da vida, onde "ter" é muito importante, pode ofuscar os esforços pela educação moral.

Em nossa carreira como professor universitário colhemos muitos casos de jovens totalmente "desplugados" de valores da alma, vivendo apenas valores sensórios e imediatos, onde o comum vira normal. Muitas vezes detectamos o descaso dos pais, ou uma educação baseada em descompromisso com a parte moral do ser, outras vezes percebemos que a índole do jovem deu guarida a tendências que batalharam fortemente contra as orientações e exemplos dadas pelos pais.

Assim, respondendo a pergunta da apresentadora do jornal televisivo, podemos dizer que os pais não podem evitar os desvios de conduta dos filhos, mas podem minimizar, ou prevenir, esses desvios através dos esforços de uma educação moral e espiritual. Entretanto, os filhos são individualidades dotadas de livre vontade de escolha. Alguns possuem mais força de vontade para descortinar seus vícios e trabalhar pelas suas virtudes, outras nem tanto. Os pais necessitam compreender que a educação não é um remédio infalível, até porque os filhos precisam caminhar por conta própria, fazer escolhas, acumular experiências. Agora, o a educação através da moralização e espiritualização é o melhor caminho, é a que dá melhores resultados.

É pena que a orientação moral e a espiritualização dos filhos não seja, ainda, prioridade. Tenho convicção que nossos jovens teriam muito menos desvios de conduta se já tivessemos iniciado esse caminho.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 79 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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