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Família

Ano 9 - nº 77 - 15 de outubro de 2009

A força do exemplo

por Bruno Zaminsky*

Tenho escrito, aqui e ali, da importãncia do exemplo como força educadora junto às crianças e jovens, e que os pais devem estar constantemente em exercício de autoeducação, pois muito mais que as palavras, os exemplos conseguem arrastar e modificar aquele que está sob nossa influência, ou seja, os exemplos dos pais "falam" muito mais profundamente à alma dos filhos, do que sermões, gritos ou qualquer outra coisa.

Para ilustrar com exemplos o que estou falando, citarei dois casos bem representativos.

Um menino de oito anos de idade relata com toda sua espontaneidade a relação prazerosa que tem com o pai, ausente durante o dia por questão profissional, mas presente à noite e nos fins de semana. Ele conta que o pai adora particpar das brincadeiras, que eles se divertem muito, dão muita risada, numa relação entre grandes amigos. Ele admira o pai, que nunca se diz cansado ou com falta de tempo e que, depois das brincadeiras e intenso diálogo, inclusive aproveitando o tempo para se inteirar das obrigações escolares, ainda se dedica à mãe e ao lar. Para esse menino, o pai é seu super-herói. É participativo, mantém diálogo, gosta de brincar e é responsável.

Outro caso trago de uma viagem ao exterior, em país africano, quando me deparei com miséria e falta de escolaridade, mas assisti uma cena de muita emoção. A menina, provavelmente com seus seis anos de idade, apenas querendo saciar sua fome, pegou um punhado de farinha da tigela de outra criança e engoliu com sofreguidão. A mãe, vigilante, percebeu o ocorrido e, sem gritar ou bater, lembrou-lhe que aquilo que é dos outros aos outros pertence. Disse mais: assim como a menina não gostaria que lhe tirassem o que é seu, deveria proceder do mesmo jeito com os outros. Ao ouvir a lição, dada com serenidade e firmeza, a menina dirigiu-se espontaneamente à outra criança e pediu-lhe desculpas. Vi essa mesma mãe compartilhando o pouco que tinha com outras pessoas, ou seja, ela faz o que fala.

Duas cenas distintas, dois exemplos da força do exemplo na educação das crianças.

Devemos meditar profundamente sobre a força do exemplo. Não é possível combater possíveis vícios em nossos filhos se, enquanto pais ou responsáveis, comprazemo-nos nos vícios, como fumar, beber, falar mal dos outros e tantas outras coisas que prejudicam a nós e aos outros.

Como solicitar aos filhos organização e limpeza, se somos desorganizados e pouco higiênicos?

Não adianta querer transferir a educação para a escola. A escola também tem o papel de eeducar, junto com o ensinar, mas não existe para substituir os pais e a família, detentores da missão de exemplificar, orientar, esclarecer, amparar, disciplinar, ou seja, educar.

É conhecida, pelo menos no meio educacional, uma história bem significativa sobre o exemplo.

Os pais estavam reformando o quarto da filha, de aproximadamente cinco anos de idade. Estavam pintando as paredes. O pai, no alto da escada, a mãe, pintando o rodapé. A menina entra no quarto, semblante fechado, bracinhos cruzados, e exclama: "Que diabos! Quando isso vai ficar pronto?". De imediato, batendo os pés no chão, retira-se. O pai, indignado, pára de pintar, cruza os braços ao mesmo tempo em que fecha o semblante, bate com pé no degrau da escada, e exclama para a esposa: "Que diabos! Onde nossa filha aprendeu a falar desse jeito?".

Preciso comentar? Creio não ser necessário.

E ainda tem quem não acredite que o exemplo é a maior força da educação.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 77 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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