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Família

Ano 8 - nº 74 - 15 de julho de 2009

Considerações psicológicas

por Bruno Zaminsky*

Três grandes teóricos e pesquisadores do desenvolvimento psicológico estão em evidência nos dias atuais: Piaget, Vygotsky e Wallon. Conhecer um pouco das teorias de desenvolvimento psicológico, ou teorias psicogenéticas, faz muito bem para qualquer educador, e aqui estão situados os pais e outros responsáveis pela educação das crianças na família. Nossa proposta neste artigo é traduzir para os pais e responsáveis um pouco do pensamento desses pesquisadores, para aplicação prática nas situações cotidianas do lar.

Piaget concluiu através de observações fundamentadas cientificamente que as crianças não pensam como os adultos. Para ele o desenvolvimento cognitivo (da inteligência, ou do pensamento) é feito em etapas. As crianças vão adquirindo certas habilidades somente com o tempo. A criança é um ser humano que interage com a realidade, realizando aprendizados, assimilando conceitos e desenvolvendo o raciocínio.

Piaget considera quatro estágios: sensório-motor (0 a 2 anos); pré-operatório (2 a 7 anos); operações concretas (7 a 11/12 anos); operações formais (11/12 anos em diante).

Para Vygotsky, o desenvolvimento do indivíduo é resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando a importância do papel da linguagem e do aprendizado. A aquisição do conhecimento é feito pela interação do sujeito com o meio. Em sua teoria devemos destacar as chamadas zonas de desenvolvimento proximal, ou seja, a distância entre aquilo que a criança faz sozinha e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto.

Aqui entende-se que a criança possui um desenvolvimento real e um desenvolvimento potencial. Cada ser humano possui potencialidade para aprender de forma diferenciada.

Wallon, por sua vez, considera que o desenvolvimento da inteligência depende do organismo e da interação social, vendo a criança como um ser total, ou integral. Assinala que o desenvolvimento da criança é descontínuo, marcado por contradições e conflitos, resultado da maturação e das condições ambientais, provocando alterações qualitativas no seu comportamento em geral.

Ele também considera a existência de estágios de desenvolvimento: impulsivo-emocional; sensório-motor e projetivo; personalismo, categorial e predominância funcional, todos esses estágios vinculados a quatro elementos básicos que estão todo tempo em comunicação: afetividade, emoções, movimento e formação do eu.

Como podemos perceber, os três teóricos têm pontos comuns e pontos de contato. Importante nesta abordagem, quando olharmos para as crianças, é entender que:

1. As crianças não pensam como os adultos.
2. A inteligência é desenvolvida por etapas.
3. A interação com a realidade, o ambiente, é muito importante para o bom desenvolvimento.
4. O bom uso da linguagem (gestual, verbal, escrita) propicia melhor desenvolvimento cognitivo e psicológico.
5. A criança é capaz de muitas coisas, e para outras coisas necessita do auxílio de um adulto.
6. É preciso respeitar o desenvolvimento do organismo físico e reconhecer suas limitações.
7. A afetividade e as emoções estão intimamente ligadas ao desenvolvimento da inteligência.

Bem, com estas considerações creio ter dado aos pais e responsáveis uma visão mais ampliada sobre a criança e os melhores procedimentos para sua educação. Quem quiser ampliar seu conhecimento sobre as teorias psicogenéticas recomendo o livro "Piaget, Vigotsky, Wallon - Teorias Psicogenéticas em Discussão", escrito em parceria por Yves de La Taille, Marta Kohl de Oliveira e Heloysa Dantas, publicado pela Summus Editorial.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 74 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

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