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Família Ano 8 - nº 73 - 15 de junho de 2009 Castigos por Bruno Zaminsky* "À
vezes tenho vontade de pegar pelo pescoço!". Estas frases são ditas quase sempre pelas mães e responsáveis, reportando-se a coisas ruins feitas pelos filhos e que merecem castigo para eles aprenderem a não mais fazer o que fizeram, pois prejudicaram a outros com seu comportamento, com sua atitude. Vamos conversar sobre a figura do castigo na educação, e, como as frases indicam, a agressão física. Lembremos logo que agredir uma criança é crime. Os pais ou responsáveis podem ser denunciados no Conselho Tutelar, correndo o risco inclusive de perder a guarda dos filhos. "Ah, mas foi só uns tapas bem dados, para ele aprender". Aprender o quê? Que o adulto pode bater em alguém indefeso? Que é só esperar ficar adulto para distribuir pancada? "Não, aprender a não me desrespeitar, a respeitar os outros, a não bater nos colegas, não mentir, não roubar". Interessante esta resposta. Batemos para a criança aprender a não bater. Soltamos palavrões para ela aprender a não usá-los porque é feio. Gritamos para ela aprender a falar mais baixo. Desrespeitamos para que meninos e meninas aprendam a não desrespeitar. Somos corruptos, levamos vantagem à custa dos outros, mas não admitimos isso em nossos filhos. Bater não é educar. É traumatizar, é incentivar a violência, é estimular fatores negativos da personalidade em formação, é frustrar o bom desenvolvimento psicológico e emocional. Bater é tudo de ruim, amar é tudo de bom. Quanto ao castigo, ele deve acontecer como consequência do mal praticado, devendo ser proporcional ao feito, nunca desrespeitando a criança ou colocando-a em situação vexatória. E antes de aplicar o castigo, a criança deve ser conscientizada do porque da sua aplicação, para que entenda que ela mesma o provocou, pois, por amor, nem papai, nem mamãe gostariam de aplicá-lo. Agora, castigo aplicado é castigo a ser cumprido. Nada de "amolecer" o coração e terminar a punição antes do prazo estabelecido, ou modificá-la atenuando sua aplicação. Isso só pode acontecer se a criança mostrar sincero arrependimento e dispor-se a pedir desculpa e reparar o erro cometido, o que, aliás, é muito importante de acontecer, única maneira de aferir o grau de aprendizado que o castigo proporcionou. E, se você é pai ou mãe, ou responsável por alguma criança, lembre-se que o diálogo, o amor, a presença são fundamentais para uma boa educação que seja forte em si mesma para corrigir más tendências e estimular boas virtudes. *Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada. .................................... Continue a leitura da Edição 73 da Revista ReConstruir.
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