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Família

Ano 8 - nº 70 - 15 de março de 2009

E por falar em sexo

por Bruno Zaminsky*

Participei de um debate sobre sexualidade na juventude, a convite de um departamento da universidade, e fiquei impressionado com a radicalização e intransigência de determinados grupos, que defendem a qualquer custo seus pontos de vista, sua liberdade de ser e de fazer o que se quiser no campo sexual.

Reconheço o direito individual da escolha sexual, mas daí a não permitir o debate, a vaiar ruidosamente qualquer colocação discordante, e até ameaçar fisicamente quem pensa diferente, vai uma grande distância e mostra quanto estamos longe de compreender o exercício democrático, onde todos devem ter os mesmos direitos.

Longe do meu pensar qualquer censura a quem quer que seja no campo da sexualidade; meu esforço é o de compreender as escolhas, suas motivações e fazer pensar sobre elas. O fato de compreender e não censurar não quer dizer que aceite essas escolhas. Mas parece que as pessoas não querem saber disso: ou você aceita a opção sexual que ela fez ou se cala. Isso me lembra ditadura, e só a lembrança me faz arrepios.

Por que não podemos debater o homossexualismo? Por que não podemos ter um posicionamento contrário, por exemplo, à parada gay? Por que devemos legalizar a prostituição? Por que não temos uma política pública clara sobre o abuso sexual na infância? Por que devo concordar que a melhor solução é a distribuição de camisinhas? E vai por aí, nesse universo do comportamento sexual humano.

Implantamos a informática, a língua estrangeira, a filosofia, a sociologia, a educação para o trânsito no ensino. Por que não implantamos a orientação sexual? E não falo apenas do ponto de vista biológico, mas igualmente do ponto de vista moral, sem mordaças de ranços religiosos.

Já presenciei, mais de uma vez, estudantes universitários fazendo demonstrações de virilidade sexual na sala de aula, nos corredores, nos pátios, nos gramados, nos banheiros, sem cerimônia, numa promiscuidade que lembra as bacanais romanas de dois milênios atrás. E ai do professor que se aventurar a dar uma de moralista, como dizem os jovens, pois será execrado pela opinião dos defensores da liberdade sexual.

Não se trata de ser moralista, de fazer discurso retrógrado - os jovens adoram usar esse jargão - e sim de fazer a razão funcionar, pois até onde já constatamos cientificamente, é ela que nos diferencia dos animais. E se estes, pelo menos alguns, movem-se pelo puro prazer instintivo do sexo, é da competência do homem controlar o impulso sexual e canalizar sua energia para o equilíbrio integral do ser, seu e do parceiro(a).

A orientação sexual deve começar em casa, através dos bons exemplos dos pais, o que fica difícil, se não mesmo impossível, quando os pais mantém relações promíscuas e não conversam sobre sexo com seus filhos, que possuem liberdade para assistir na tevê "big brothers" da vida, aprendendo a desrespeitar o outro e fazer o possível e o impossível para ganhar um prêmio, atropelando, magoando e usando os outros como se fossem objetos e nada mais que isso.

E depois ficamos lamentando os excessos, escandalizados com o abuso sexual da criança, a gravidez nas adolescentes, a prostituição infantil, o crescimentos das doenças sexualmente tramsmissíveis.

Será que alguém quer debater seriamente tudo isso à luz da educação?

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 70 da Revista ReConstruir.

 

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