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Família

Ano 8 - nº 69 - 15 de janeiro de 2009

Consumismo: alerta para os pais

por Bruno Zaminsky*

Tenho reparado, com profunda tristeza, corredores de shoppings lotados de crianças e adolescentes, consumindo ... consumindo, como se dinheiro nascesse em árvore e os bens físicos nada valessem a não ser até o prazo da nova moda. É um comportamento habilmente explorado pela mídia publicitária, que induz o jovem a ser um consumista, um comprador compulsivo, o que é facilitado pelos presentes que os pais dão aos seus filhos: o cartão de crédito e os cartões de loja.

Como crianças e adolescentes não trabalham, não possuem remuneração salarial, os pais assumem o ônus financeiro das compras, e em grande maioria, não sabem colocar limites, nem explicam sobre a necessidade de equilíbrio entre receita e despesa, que não se pode gastar mais do que se tem. Sem essa educação, e com o acobertamento dos pais, o consumismo juvenil está formando adultos com valores equivocados e despreparados para as realidades da vida.

Lembro que as crianças e adolescentes costumam se espelhar no comportamento dos pais, razão pela qual os adultos precisam evitar o consumo exagerado e demonstrar equilíbrio no uso do salário e das demais rendas financeiras da família.

Para uma boa educação do consumismo sem freios, trago algumas dicas para os pais:

1. Encontre alternativas de lazer, desligando as crianças da mídia televisiva e on line (internet). Promova a boa leitura, jogos sadios, música, esportes, etc.

2. Não deixe os filhos horas e mais horas assistindo televisão. Não permita que façam as refeições com os olhos grudados na telinha. Para cada coisa o seu momento.

3. Dar aos filhos a noção de responsabilidade e de limites do orçamento doméstico, para que compreendam a diferença entre o necessário e o supérfluo.

4. Não ceder sempre às solicitações feitas pelos filhos. Dizer não faz parte da educação.

5. Não fazer de cada dia uma festa de aniversário, levando presentes. A criança crescerá não dando valor ao que ganha.

6. Não se endividar para dar o que a criança pede. Converse e explique que ela terá o que quer, se for razoável e necessário, quando for possível. Assim a criança aprende a saber esperar.

7. Mostrar às crianças que elas não precisam ter tudo o que as outras têm.

Controlar o consumismo dos filhos é dever dos pais, que devem, por sua vez, controlar o próprio impulso de ir às compras sem limites.

Acompanhar e dialogar são duas ferramentas básicas e de excelentes resultados nessa educação, mas a ferramenta mais excelente é o exemplo.

Consumidores ávidos e irresponsáveis deterioram a convivência humana, banalizam a sociedade e não conseguem ter um crescimento saudável, tanto físico quanto espiritual, e isso é muito grave para continuarmos a assistir, inertes, o que está acontecendo.

*Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada.

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Continue a leitura da Edição 69 da Revista ReConstruir.

 

 

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